mais de dois anos depois e com atualizações no layout do blogger que não me agradam eu volto aqui pra escrever de novo pra mim mesma. esse sentimento que conheço há muito tempo, contrastes entre querer ter com quem dividir essas coisas que eu já fiz e ao mesmo tempo ter um medo terrível de ser enxergada demais. se for pra escolher prefiro ficar sozinha e quieta, porque no fundo eu sei que escrevo pra eu ler quando já tiver esquecido o que escrevi, pra eu voltar de tempos em tempos e olhar pra dentro com mais carinho. então é a partir daí que retorno.
ia dizer que não lembro porque fui reler uma postagem (que foi o que me levou a revisitar metade de tudo o que já coloquei aqui), mas acho que é bem óbvio o motivo. nesses dias de isolamento me voltei pra maratonas de leitura na tentativa de me animar, e me peguei querendo clicar na setinha que muda de blog sempre que vinha aqui escrever as reviews que mantenho desde quando refleti sobre minha própria memória. então fiz isso, fui ver as maratonas de que participei há anos atrás. fui sentir agonia com o jeito que eu escrevia na primeira, fui sorrir percebendo a considerável melhora na segunda. e, do mesmo jeito que tô fazendo aqui, cheguei em inúmeras outras postagens por causa dos links referenciando umas às outras. e fui aumentando as abas abertas, aumentando a carga de memórias afetivas do passado que iam surgindo. agora mesmo tô ouvindo simonami enquanto tento organizar todas as conexões com o meu presente que consegui perceber.
fico feliz por não ter apagado todas essas coisas. acho que não importa o quanto eu ache mais bonito ou poético guardar um monte de cadernetas, objetos ou qualquer coisa física e palpável como recordações desses eus passados, o que eu tenho de mais transparente é esse blog, essa plataforma digital e online. todas essas postagens são a compensação pelos diários desorganizados, pela falta de histórias e experiências juvenis que na real só são idealizações de como eu deveria ter vivido. meu primeiro reflexo é me achar desinteressante por não ter esse tipo de coisa ou desgostar de mim por não ter feito "nada", mas agora eu vejo que não preciso disso pra conseguir ver como eu era, ver meu crescimento. o que eu tenho aqui é igualmente válido, igualmente importante. e acho que é até melhor eu ter ficado sempre sozinha aqui, porque fui mais verdadeira do que talvez teria sido se tivesse uma audiência pesando sobre tudo o que eu fazia. acho que enquanto eu não fizer as pazes comigo mesma por ter preferido usar (e por continuar usando) o digital em vez do analógico eu não vou me reconhecer como alguém que tem uma história, um percurso como pessoa, acessível da mesma forma, só não do jeitinho que minha cabeça insiste em considerar mais legal. ufff. cria da internet, né.
e sempre, sempre que vejo isso aqui sinto um medo de que algo aconteça e eu perca tudo, de que algum acidente na nuvem que armazena a infinitude do que tá online apague do mundo toda essa minha existência. e se resolveria em parte se eu imprimisse cada postagem, mas tem os links, as músicas, os vídeos, toda esse monte de coisas dependentes de aparelhos eletrônicos que também iriam embora se a tecnologia desaparecesse, se a energia elétrica acabasse, sei lá. pensamento trágico e mórbido. acho que preciso começar a reunir tudo e imprimir quando puder, salvar de alguma forma o que é possível trazer pro sólido. só pra diminuir essa ansiedade, me sentir mais segura, ter um backup de mim mesma. a analogicação analogização analogicalização do histórico digital de st.
mas já me desviei um monte. o propósito era verbalizar as linhas que fui vendo entre o antes e o agora. a primeira eram as maratonas, o mais óbvio mesmo, com o mesmo objetivo de encontrar motivação pra amenizar a sensação onipresente de que eu devia ler mais, de que eu devia movimentar os livros que tenho. [obrigada deus pela função de salvar com frequência o que eu digito aqui, porque acabei de fechar a aba sem querer e já levei a mão à boca enquanto pedia por favor que não tenha sumido tudo o que escrevi.] depois vieram as fotos do caminho pro colégio, sempre no mesmo ponto do vale onde a van parava pra uma aluna entrar, e ali já vinham os escritos mais íntimos, tristes, a apatia e a falta de disposição. de novo e de novo, tudo se move mesmo em ciclos que se repetem. e de alguma forma o caminho é sempre se voltar pra dentro, porque se não resolver as inquietudes do presente pelo menos mexe as questões do passado e apazigua o que ficou bagunçado. acho que é um entendimento muito pessoal, que talvez eu não tenha mesmo as palavras pra explicar, mas que sei que sou capaz de sentir comigo mesma. e as citações reencontradas retratam isso: As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizíveis quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra pisou.
e esse título de blog que, de todas as coisas, é uma das que não tenho vergonha em ter escolhido usar. Os dias do homem bom são também comparáveis aos seus livros, O valor é cada vez maior, embora mais escassos se tornem. quem sabe, né, assim a gente deseja. [continuo reescrevendo as palavras com sinônimos.] tem horas que só dói tudo e qualquer coisa, mas quando me lembro do que já foi sei que tô no melhor lugar que já estive. e de novo citando o que já citei antes, Nada a poderia perturbar mais do que olhar para fora e aguardar de fora respostas a perguntas que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa. não quero tomar os outros como referência de tudo, porque eu sou eu e essa coisa toda. a força dos despejos, poxa. eu lembro de ser pequena e não entender como era possível viver uma vida e assistir a toda ela dentro do tempo da própria vida. ainda não sabia da velocidade regulável, de 2x pra cima, como carolzinha prefere. ou dos focos de lembrança, do que faz parte da construção. este é um deles. e ok, reconheço e retomo. obrigada.
















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