Oiê!
Antes de tudo: chamo esta postagem de "especial" porque não estou aqui só para comentar sobre a magnífica obra de Luís Vaz de Camões, mas sim para falar sobre tudo que eu aprendi sobre Os Lusíadas na escola com uma professora de literatura excelente (beijo, Gláucia!). Com isso posso recapitular e estudar para a prova que chega no fim do mês, além de compartilhar com os amigos que desejam relembrar também. Quando eu era pequena decorei seu famoso soneto "Amor é fogo que arde sem se ver" (♡) e por isso, desde então, me interesso bastante por Camões. Aqui vai, primeiramente, uma introdução ao autor.
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| Há 434 anos, no dia 10 de junho, morria Luís de Camões. |
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Estudamos, na escola, seis episódios: O consílio dos deuses; Inês de Castro; O velho do restelo; O gigante Adamastor; A Ilha dos Amores e A máquina do mundo.
O consílio dos deuses (canto I)
Antes que a viagem de Vasco da Gama e sua frota dê início, é feita uma reunião entre os deuses para decidir se os portugueses devem ou não alcançar seu objetivo. Baco (nome romano alternativo para Dionísio, deus do vinho e da orgia) se opõe ao sucesso dos navegantes e Vênus (Afrodite, deusa do amor) decide apoiá-los. Sendo assim, Baco é o inimigo dos portugueses, enquanto que Vênus é sua protetora.
Inês de Castro (canto III)
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| Inês suplica que não matem a ela e a seus filhos. |
Mas não pára por aí. Pedro, não tendo podido fazer nada para impedir a execução da mulher que amava, resolve ir mais longe: no dia de sua coroação, pouco depois da morte de Inês, Pedro tranca num quarto a moça com quem fora obrigado a se casar e manda trazer os ossos de Inês – os quais mandou que fossem montados como se ainda houvesse vida neles – e, tendo vestido-os, coroa sua amada. Inês é, então, a Rainha Morta.
Conclusão: o enfraquecimento do governo previsto caso Inês fosse rainha de fato acontece – misticamente por sua coroação pós-morte ou, logicamente, pela crença do povo de que seu novo rei era louco.
O velho do restelo (canto IV)Estava a frota de Vasco da Gama a se despedir das pessoas que deixariam em Portugal quando, do meio das pessoas, surge um velho maltrapilho. Ele começa a pregar que a viagem que estavam prestes a fazer era simplesmente um disparate, um suicídio: o velho dizia que Portugal só buscava fama, e que a recompensa que poderiam obter não valeria o sacrifício. Ele disse que os homens estavam indo numa viagem insensata, pois Portugal não estava preparado para uma empreitada daquele porte; que estavam deixando as mães que tinham em seus filhos o refrigério e o amparo para sua velhice a troco de virarem comida de peixe; que estavam tomando de suas esposas o corpo que já não era só deles – já que, conforme prega a instituição do casamento, ao juntarem-se, marido e mulher tornam-se uma só carne. E apesar do avisos do homem, os navegantes não dão ouvidos às críticas que ele fazia – justamente por ele ser velho e mendigo.
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| O temível Adamastor. |
O Cabo das Tormentas, ao sul da África, era um ponto muito conhecido por suas águas revoltas e por causar constantes naufrágios. Como o homem sempre fizera quando não sabia explicar alguma coisa, esses obstáculos eram atribuídos a um gigante que morava por aquelas bandas – Adamastor, um sujeito enorme, de voz tonitruante e olhos bravios e fundos. Morava tão profundamente naquelas águas que seus cabelos e barba continham areia, e quando surgia na superfície causava o movimento desordenado das ondas.
Vasco da Gama e sua frota presenciaram a aparição do gigante e, ao perguntarem "Quem és tu?" para o gigante, este conta a eles sua história, além de ameaçá-los sobre os perigos de sua viagem, cujo menor mal seria a morte (segundo suas palavras, intensificando os alertas feitos pelo velho do restelo). Após comover-se com memórias trazidas à tona com sua história, Adamastor logo desaparece na nuvem temerosa em que surgiu, deixando os navegadores em paz – e estes seguem viagem.
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| Os portugueses são recebidos na Ilha dos Amores. |
Depois de bem sucedida a viagem, a frota ancora em uma ilha para poder reabastecer os suprimentos dos navios antes de seguir para Lisboa. Os navegadores são, então, presenteados com uma recompensa de Vênus, a deusa que os estivera protegendo: ninfas os recebem com quitutes para saciar sua fome e oferecem seu corpo para proporcioná-los prazer. Isso ocorre pois Vênus e seu filho Cupido fazem com que elas se apaixonem pelos portugueses – já que ninfas não se ofereceriam assim a homens pois não é de sua natureza o fazer – e lhes proporcionem satisfação. É uma ilha paradisíaca, com uma fauna gentil e com frutos suculentos que são produzidos sem terem sido cultivados. Tudo que ocorre é passageiro e carnal: uma paixão repentina, uma alegria imediata, uma rápida recompensa.
Curiosamente, Vasco da Gama é colocado como superior nesse momento: ele é separado desse ato carnal e é levado a um lindo palácio por Tétis (que também está sob o controle de Vênus), enquanto os outros ficam nos arredores dos bosques com as ninfas.
A máquina do mundo (canto X)
Acabado o banquete e a "festança" geral, Tétis leva Vasco da Gama no ponto mais alto da ilha, de onde podem ser vistas as esferas celestes que redigem o universo (de acordo com a teoria geocêntrica aceita na época), com a Terra em seu centro e os planetas girando, quase que imperceptivelmente, ao seu redor.
Enquanto contempla a magnificência do universo que o cerca, Tétis mostra a Vasco da Gama o grande significado que sua conquista tinha para o mundo como parte de uma engrenagem e como uma peça decisiva para a evolução das habilidades do homem. Tétis diz a ele que esse feito não pode nem deve ser esquecido e o incumbe da missão de espalhar essa conquista, de disseminar os conhecimentos adquiridos e de fazer com que seja reconhecido o valor de tudo o que ele, com a ajuda de sua frota, realizara.
Apesar de tudo, acontece, de fato, o infortúnio que o velho do restelo previra: saíram de Portugal 170 homens e voltaram apenas 55. Considerando que na Idade Média havia muito menos pessoas que no mundo atual, menos da metade dos homens que foram mandados numa viagem dessas terem retornado é um número amedrontador. Por muito tempo, depois disso, Portugal não cresceu significativamente – já que não haviam tantos homens para serem pais. A conquista de Vasco da Gama não recebeu tanta admiração quanto se esperava e acabou caindo no esquecimento, sem grande valor para ninguém.
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Pra quem tiver curiosidade, o rei Pedro da história de Inês é, na verdade, Dom Pedro I. Na internet é contada uma história diferente sobre eles, mas já que não conheço muito o assunto, fico satisfeita com a versão de Camões. Até hoje é usada a expressão "agora Inês é morta" pelos portugueses – o que equivale ao nosso "fazer o quê", ou "agora não tem mais jeito". Meus amigos e eu adotamos a expressão ao nosso cotidiano e tem sido bem divertido trocar palavras que outros não compreendem, haha!
Até a próxima!

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