segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Filmes (de novo, postagem velhíssima)

(Da série: coisas que estavam nos rascunhos e nunca postei não sei porquê. Dessa vez voltamos um ano, apenas.)

Ontem eu assisti a Boyhood, filme de 2014 dirigido por Richard Linklater. Foi filmado acompanhando os personagens durante doze anos, sendo bem mais realista que aqueles filmes onde usam atores sem grandes semelhanças para interpretar o mesmo personagem em idades diferentes. Boyhood retrata a infância e a juventude de Mason (Ellar Coltrane) e sua irmã Samantha (Lorelei Linklater), bem como a desordenada vida amorosa de sua mãe (Patricia Arquette) e os bons momentos com seu pai (Ethan Hawke). Este filme me causou um impacto bem grande, afinal. Acho que é o melhor e o pior filme que vi até agora, neste ano.

Queria que isso tivesse feito parte da minha infância também.

Melhor por passar tão claramente todo essa metamorfose que a gente vai tendo enquanto cresce, essa formação de opiniões e caráter, essa descoberta de gostos e interesses... Por retratar de maneira tão crua a vida, com seus altos e baixos, suas coisas boas e ruins. Pior por me fazer temer ainda mais o futuro, já que eu ainda não tenho certeza que sei o que quero, o que gosto, o que posso. Por me fazer pensar nos "e se?" da vida. Por me cutucar tão cruelmente e por me deixar incomodada com inúmeras questões.


Mas isso é bom, não é? Quem sabe. De qualquer forma, não sou a melhor pessoa pra dar sinopses de filmes e livros, mas posso dizer que vale a pena assistir a este filme. As imagens podem ter um certo spoiler, sei lá. Desculpa (?), são partes que eu gostei particularmente.

Outro dia vi Medianeras, filme argentino de 2011. É sobre Martin (Javier Drolas) e Mariana (Pilar López de Ayala), dois adultos tentando encontrar a si mesmos enquanto encaram a vida aos tropeços.

Acostumados à solidão e cada um com seus hobbies, ambos vão tentando ficar confortáveis cada qual à sua maneira. Até procuram se aventurar com coisas novas, na tentativa de chacoalhar o ritmo monótono que suas vidas levam. Suas ideias são bem peculiares e acabam sendo semelhantes. 

A internet me traz mais perto do mundo, porém mais distante da vida.
Ah, se minha cabeça funcionasse tão bem quanto meu Mac e eu pudesse esquecer tudo com um click.

Tanto Martin quanto Mariana queriam começar a fazer natação, mas nunca dava certo. Há um momento em que Martin diz que odeia o antes e o depois de nadar, mas adora o durante... E eu me identifiquei. Desisto de nadar por causa dessas duas etapas inevitáveis (assim como Martin). Mas esse problema não se restringe à natação: muitas coisas são evitadas por nós porque não temos disposição para encarar os processos necessários para que elas sejam realizadas. Por exemplo, eu tenho ideias e gostaria de colocá-las num papel, mas nunca consigo fazê-lo quando pego um caderno e uma caneta. Fico estagnada no antes e por isso acabo postergando. Já se sentiu assim?
  
O medo de saber que sou uma pessoa perdida entre milhões.

Medianeras também aborda questões que faço a mim mesma, nesse sentido incômodo de futuro e vida no geral. O filme mostra conflitos internos e externos que não podem ser raros hoje em dia, neste mundo tão corriqueiro e agitado. Sabe, gostei bastante de Medianeras. Assim como com Boyhood, senti como se o filme estivesse me dando um empurrãozinho para que eu tome coragem (ou simplesmente vergonha na cara) e pare de apenas observar e imaginar e parta para a ação.

Observar é ser e não ser. Ou ser de outra maneira.
Estas irregularidades provavelmente nos refletem perfeitamente.
Vejam Medianeras. E ah, eu adoro o final.

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...Escrevi só isso mesmo, embora planejasse ter falado de outros filmes. Enfim, só deixando aqui também.

Leituras de tempos atrás (postagem que estava nos rascunhos há mais de um ano)

Faz tempo que não falo sobre livros aqui, não é? Puxa, faz mesmo. Não tenho lido tanto quanto antes. Ando meio preguiçosa, admito. Mas talvez seja só sobrecarga. Quando tenho muita coisa pra fazer, entro em conflito e não rendo nada. Da mesma forma, quando eu tenho vários livros a serem lidos, acabo ficando nervosa e não leio nada. É patético, eu sei, mas também é complicado.

Li algumas coisas do Gil Vicente no começo do ano, acho – O velho da horta e Quem tem farelos?, mais especificamente. O primeiro foi pra escola e o outro li por passatempo. Achei-os interessantes, mas ainda prefiro o Auto da Barca do Inferno, A farsa de Inês Pereira e o Auto da Alma. Têm mais reviravoltas e os temas me agradam mais. São leituras válidas, na minha opinião.

Em nãoseiquemês li Os sofrimentos do jovem Werther, do Goethe. Gostei de certas citações do Werther e tal, mas não achei tudo aquilo, não. Por vezes achei-o maçante, apesar de a história ser curiosa. Talvez não era o momento certo de lê-lo, para mim. Quero reler no futuro, pra poder absorver melhor. 

Ah, eu não li Fausto, viu? Só Werther, mesmo.

Em seguida, li Crônica de uma morte anunciada, do Gabriel García Marquez. Como minha primeira leitura do Gabo, fiquei bastante satisfeita. A narração é peculiar e a história é envolvente. O final é denunciado pelo título – mas diferente da maioria das pessoas quanto se trata de spoilers, eu fico curiosa em saber os porquês por trás de determinado acontecimento. Nisso, este livro foi bem legal. Recomendo!


Depois eu li Eles não usam black-tie, do Gianfrancesco Guarnieri. Já tinha visto o filme baseado nesta peça do autor e ator brasileiro e gostei de ambos. É sobre uma família que vive numa favela e batalha pra ter uma vidinha confortável. A linguagem é coloquial e as personagens são muito simples, o que dá uma proximidade ainda maior com o leitor. O clímax se dá com a greve dos trabalhadores de uma fábrica local: daí se desenvolve o conflito na vida de Tião, personagem principal. É uma obra importante para a dramaturgia nacional e vale a pena dar uma conferida.

Na sequência li Cinco minutos, do José de Alencar. Lembro de ter visto um vídeo há muito tempo atrás onde uma booktuber comparava Iracema a Cinco Minutos e dizia que o que Iracema tinha de complicado, Cinco Minutos tinha de doce. Concordo: Cinco Minutos é bem leve, calmo e meigo. Apresenta um doce romance, numa história bonitinha e tudo o mais. Gostei da leitura.

Em seguida li Clube da luta, do Chuck Palahniuk. Cara, que livro intenso. Prendi-me na leitura do início ao fim, e que fim, hein? Nunca li nada parecido e adorei a experiência. Clube da luta faz você ponderar se deveria ou não confiar em sua própria mente. Aliás, mais tarde li um conto do mesmo autor chamado Guts (Vísceras – ou, mais coloquialmente, Tripas). É a coisa mais nojenta e desconfortável que eu já li na minha vida e acredito que nenhuma outra obra vai ocupar esse posto. Se achar que aguenta, leia-o!



Há alguns dias devolvi na biblioteca Os Lusíadas, de Luís Vaz de Camões. Eu disse, no meio do ano, que ia lê-lo nas férias – coisa que não fiz, é claro, porque eu adoro quebrar promessas que faço a mim mesma (não). Também não li agora, não pude me dedicar... mas fotografei as belas gravuras.









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...Como diz o título deste post, isso aqui tava criando teia de aranha nos rascunhos há muito, muito tempo (creio que comecei a escrever isso em setembro de 2014). Eu não lembro se eu li outras coisas depois (provavelmente sim, mas não lembro quais livros), então só vou deixar isso aqui mesmo. Não sei se vale alguma coisa fazer isso ainda. Só tô usando como um registro da minha vidinha, que anda passando mais rápido do que eu gostaria.