(Da série: coisas que estavam nos rascunhos e nunca postei não sei porquê. Dessa vez voltamos um ano, apenas.)
Ontem eu assisti a Boyhood, filme de 2014 dirigido por Richard Linklater. Foi filmado acompanhando os personagens durante doze anos, sendo bem mais realista que aqueles filmes onde usam atores sem grandes semelhanças para interpretar o mesmo personagem em idades diferentes. Boyhood retrata a infância e a juventude de Mason (Ellar Coltrane) e sua irmã Samantha (Lorelei Linklater), bem como a desordenada vida amorosa de sua mãe (Patricia Arquette) e os bons momentos com seu pai (Ethan Hawke). Este filme me causou um impacto bem grande, afinal. Acho que é o melhor e o pior filme que vi até agora, neste ano.
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| Queria que isso tivesse feito parte da minha infância também. |
Melhor por passar tão claramente todo essa metamorfose que a gente vai tendo enquanto cresce, essa formação de opiniões e caráter, essa descoberta de gostos e interesses... Por retratar de maneira tão crua a vida, com seus altos e baixos, suas coisas boas e ruins. Pior por me fazer temer ainda mais o futuro, já que eu ainda não tenho certeza que sei o que quero, o que gosto, o que posso. Por me fazer pensar nos "e se?" da vida. Por me cutucar tão cruelmente e por me deixar incomodada com inúmeras questões.
Mas isso é bom, não é? Quem sabe. De qualquer forma, não sou a melhor pessoa pra dar sinopses de filmes e livros, mas posso dizer que vale a pena assistir a este filme. As imagens podem ter um certo spoiler, sei lá. Desculpa (?), são partes que eu gostei particularmente.
Outro dia vi Medianeras, filme argentino de 2011. É sobre Martin (Javier Drolas) e Mariana (Pilar López de Ayala), dois adultos tentando encontrar a si mesmos enquanto encaram a vida aos tropeços.
Acostumados à solidão e cada um com seus hobbies, ambos vão tentando ficar confortáveis cada qual à sua maneira. Até procuram se aventurar com coisas novas, na tentativa de chacoalhar o ritmo monótono que suas vidas levam. Suas ideias são bem peculiares e acabam sendo semelhantes.
Acostumados à solidão e cada um com seus hobbies, ambos vão tentando ficar confortáveis cada qual à sua maneira. Até procuram se aventurar com coisas novas, na tentativa de chacoalhar o ritmo monótono que suas vidas levam. Suas ideias são bem peculiares e acabam sendo semelhantes.
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| A internet me traz mais perto do mundo, porém mais distante da vida. |
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| Ah, se minha cabeça funcionasse tão bem quanto meu Mac e eu pudesse esquecer tudo com um click. |
Tanto Martin quanto Mariana queriam começar a fazer natação, mas nunca dava certo. Há um momento em que Martin diz que odeia o antes e o depois de nadar, mas adora o durante... E eu me identifiquei. Desisto de nadar por causa dessas duas etapas inevitáveis (assim como Martin). Mas esse problema não se restringe à natação: muitas coisas são evitadas por nós porque não temos disposição para encarar os processos necessários para que elas sejam realizadas. Por exemplo, eu tenho ideias e gostaria de colocá-las num papel, mas nunca consigo fazê-lo quando pego um caderno e uma caneta. Fico estagnada no antes e por isso acabo postergando. Já se sentiu assim?
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| O medo de saber que sou uma pessoa perdida entre milhões. |
Medianeras também aborda questões que faço a mim mesma, nesse sentido incômodo de futuro e vida no geral. O filme mostra conflitos internos e externos que não podem ser raros hoje em dia, neste mundo tão corriqueiro e agitado. Sabe, gostei bastante de Medianeras. Assim como com Boyhood, senti como se o filme estivesse me dando um empurrãozinho para que eu tome coragem (ou simplesmente vergonha na cara) e pare de apenas observar e imaginar e parta para a ação.
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| Observar é ser e não ser. Ou ser de outra maneira. |
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| Estas irregularidades provavelmente nos refletem perfeitamente. |
Vejam Medianeras. E ah, eu adoro o final.
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...Escrevi só isso mesmo, embora planejasse ter falado de outros filmes. Enfim, só deixando aqui também.
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...Escrevi só isso mesmo, embora planejasse ter falado de outros filmes. Enfim, só deixando aqui também.







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