sábado, 9 de julho de 2016

trecho de O diário de Frida Kahlo - Um autorretrato íntimo

ORIGEN DE LAS DOS FRIDAS
= Recuerdos

Debo haber tenido seis años cuando viví intensamente la amistad imaginaria con una niña... de mi misma edad más o menos. En la vidriera del que entónces era mi cuarto, y que daba a la calle de Allende, sobre uno de los primeros cristales de la ventana echaba "baho" y con un dedo dibujaba una "puerta"........ Por esa "puerta" salía en la imaginación, con una gran alegria y urgencia, atravezaba todo el llano que se miraba hasta llegar a una lecheria que se llamava PINZÓN... Por la "O" de PINZÓN entraba, y bajaba intempestivamente al interior de la tierra, donde "mi amiga imaginaria" me esperaba siempre. No recuerdo su imágen ni su color. Pero sí sé que era alegre – se reía mucho. Sin sonidos. Era ágil y bailaba como si no tuviera peso ninguno. Yo la seguía en todos sus movimientos y le contaba, mientras ella bailaba, mis problemas secretos. Cuales? No recuerdo. Pero ella sabía por mi voz todas mis cosas... Cuando ya regresaba a la ventana, entraba por la misma puerta dibujada en el cristal. ¿Cuando? ¿Por cuanto tiempo habia estado con "ella"? No sé. Pudo ser un segundo o miles de años... Yo era feliz. Desdibujaba la "puerta" con la mano y "desaparecía". Corría con mi secreto y mi alegria hasta el último rincón del patio de mi casa, y siempre en el mismo lugar, debajo de un árbol de cedrón, gritaba y reía. Asombrada de estar sola con mi gran felicidad y el recuerdo tan vivo de la niña. Han pasado 34 años desde que viví esa amistad mágica y cada vez que la recuerdo se aviva y se acrecenta más y más dentro de mi mundo.

1950. Frida Kahlo

desenho de Frida em seu diário
\\\ tradução (minha, não idêntica à disponível no livro)

ORIGEM DAS DUAS FRIDAS
= Lembranças

Eu devia ter seis anos quanto vivi intensamente a amizade imaginária com uma menina... da minha mesma idade mais ou menos. Na vidraça do que então era meu quarto e que dava na rua Allende, sobre um dos primeiros vidros da janela eu fazia "bafo" e com um dedo desenhava uma "porta"........ Por essa "porta" saia pela imaginação, com uma grande alegria e urgência, atravessava todo o terreno que se via até chegar a uma leiteria que se chamava PINZÓN... Pelo "O" de PINZÓN eu entrava, e descia intempestivamente ao interior da terra, onde "minha amiga imaginária" me esperava sempre. Não me lembro de sua imagem nem de sua cor. Mas sim sei que era alegre – se ria muito. Sem barulhos. Era ágil e bailava como se não tivesse peso nenhum. Eu a seguia em todos seus movimentos e contava, enquanto ela bailava, meus problemas secretos. Quais? Não me lembro. Mas ela sabia por minha voz todas as minhas coisas... Quando regressava à janela, entrava pela mesma porta desenhada no vidro. Quando? Por quanto tempo havia estado com "ela"? Não sei. Podia ter sido um segundo ou milhares de anos... Eu era feliz. Desdesenhava a "porta" com a mão e "desaparecia". Corria com meu segredo e minha alegria até o último canto do pátio da minha casa, e sempre no mesmo lugar, debaixo de uma árvore de lúcia-lima, gritava e ria. Assombrada de estar sozinha com minha grande felicidade e a lembrança tão viva da menina. Passaram-se 34 anos desde que vivi essa amizade mágica e cada vez que a recordo ela se aviva e se amplia mais e mais dentro do meu mundo.

1950. Frida Kahlo

“Las dos Fridas” (1939, óleo sobre lienzo, 173 x 173 cm. Museo de Arte Moderno, Ciudad de México.)

2 comentários:

  1. Eu fico me perguntando se as coisas são aleatórias mesmo. Foi muito massa querer olhar o blogger hoje de noite e encontrar essa que é a porta pra tantas outros pensamentos. Obrigada por isso <3

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    1. Ahhh que coisa ótima! Eu tava me sentindo muito mal esses dias e peguei o diário da Frida pra ler e me fez tão bem. Me voltei pra outros pensamentos também e fiquei fascinadinha em como as coisas tão ao nosso redor, só esperando pra serem notadas. Fico feliz por ter compartilhado esse sentimento contigo <333

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