segunda-feira, 7 de agosto de 2017

Maratona Literária de Inverno 2017

Fazia muito tempo desde que eu participara de algum desafio de leitura pela última vez, e por isso resolvi que faria a MLI2017. Inicialmente a maratona era do dia 16 ao dia 30 de julho, mas depois acrescentaram quase uma semana para que terminasse dia 5 de agosto (dia que booktubers que eu não acompanho iam fazer uma live pra conversar sobre uma leitura conjunta de que não participei). Fizeram três níveis diferentes – iniciante, intermediário e hardcore – com três desafios cada; escolhi o intermediário e esses foram os livros que encaixei nos desafios:


• livro com a capa azul → Família Schürmann - Um mundo de aventuras (Heloisa Schürmann)
• livro com menos de 200 páginas/livro escrito por uma mulher → Uma duas (Eliane Brum)
• livro que você comprou pela capa → Cyrano de Bergerac (Edmond Rostand)
• livro sem saber a sinopse ou do que se trata/livro nacional → Caminhos cruzados (Érico Veríssimo)

Aproveitei pra usar livros em mais de um desafio porque não quis pegar pesado. (Aliás, não comprei Cyrano de Bergerac só pela capa porque nunca faço isso; reconheci o título quando o encontrei num sebo, descobri que era um clássico francês e decidi adquirir.) Devo dizer que acho meio desanimador essas maratonas e TAGs que têm sempre as mesmas propostas; considerando a única outra maratona de que participei achei essa meio meh, mas ok. Ao todo ficou 1130 páginas, o que daria cerca de 80 páginas por dia se fossem duas semanas de maratona (mas obviamente não consegui seguir uma meta de leitura diária). O resultado desses 20 dias foi o seguinte:

• 5 livros concluídos
• 1022 páginas lidas
• 5 desafios cumpridos

Dos livros que me propus a ler não completei Família Schürmann (faltaram 260 páginas) e dos desafios, o de livro com capa azul. Também li duas coisas pequenas que não estavam na TBR – Sejamos todos feministas (de Chimamanda Ngozi Adichie) e Ou isto ou aquilo (de Cecília Meireles). Usei a comunidade que fizeram no aplicativo Amino para quem estava participando e me desesperou um pouco ver gente lendo 9 livros, 2000 e poucas páginas nesse período... Demorei muito pra conseguir ler o segundo livro e confesso que fiquei triste por não ter sido capaz de me planejar pra fazer tudo o que queria, uma vez que estive estudando na maior parte do tempo (comecei a correr atrás do prejuízo no mês de julho e ainda preciso melhorar na organização). Apesar de qualquer desânimo, isso serviu pra eu aceitar que não tenho mais um ritmo rápido de leitura e que isso não é necessariamente um problema; penso que existe grande competitividade nesses ambientes e sinto que muita gente leva a urgência do mundo globalizado pras leituras também. Vi um vídeo que questiona esse aspecto e concordei com os pontos levantados, sobre os quais eu nem tinha parado pra pensar.

Quanto aos livros da TBR, esta é minha opinião sobre eles:

• Uma duas trata do relacionamento nada saudável entre uma mãe e uma filha, que acabam se sobrepondo à medida que se aprofunda na narrativa – "Não há como escapar da carne da mãe. O útero é para sempre." A história é muito intensa, extremamente visceral e assustadora, com certeza passando longe de qualquer comparação enquanto me forçava a continuar pra fazer aquilo tudo passar de uma vez. Achei incrível, fiquei pensando em muita coisa e cuidando pra não cair em buracos cavados na minha mente pelos assuntos tocados.
• Caminhos cruzados começou me fazendo sentir um sono absurdo sempre que tentava ler por mais de cinco minutos. Não sei em que momento exato a coisa engatou, mas me encantei com a construção da história abordando tantos núcleos diferentes, cada um com sua perspectiva e seus rumos que se trombavam e expunham tantas críticas que continuam atuais. Achei muito engenhoso esse tipo de narrativa e gostei bastante do final, embora não seja um "final".
• Cyrano de Bergerac também me surpreendeu com um humor agradável, um belo lirismo e um ótimo desenrolar da história. É um verdadeiro herói romântico que, para bem além de seu nariz, tem um grande espírito e não hesita em se sacrificar pela felicidade de outros. Tudo encaixa muito bem, gostei bastante dos personagens e das rimas (apesar de não ter costume de ler teatro). E não sabia que o protagonista tinha existido de verdade!

No mais, foi legal poder me sentir parte de alguma coisa bacaninha. Pude encerrar bem a experiência com o Kindle Unlimited, adiantar um dos livros da lista de leitura dos vestibulares que vou fazer e diminuir a lista de livros na estante que ainda não li (Cyrano tava esquecido aqui há anos, por sinal). Gostei de interagir com tanta gente que gosta de ler e foi até que bem divertido. Gostaria de fazer mais coisas pra dar incentivo à leitura, o que nunca é ruim.

É isso, fim.

sábado, 15 de julho de 2017

eBooks e etc

(14/07. Mundo de tinta é gratuito e não li.)
Há algum tempo atrás adquiri o Kindle Unlimited da Amazon e desde então tenho lido vários livros digitais, em sua maioria curtos, já que não sou tão acostumada a ler pelo celular. Dia 21 acaba a promoção que tô usando e reuni opiniões sobre minhas leituras pra deixar registrado aqui e, quem sabe, ser útil pra alguém. (Aqui falei brevemente sobre o primeiro eBook que emprestei.)

Uma das primeiras coisas que li foi salt, de Nayyirah Waheed. São poemas curtos e muito impactantes sobre uma variedade de temas, mas principalmente racismo, autoimagem e feminismo. São simples e diretos como socos no estômago, tendo essa dualidade de serem agressivos apesar de delicados e serem difíceis de engolir mesmo sendo fáceis de ler (penso que na mesma linha dos poemas de Rupi Kaur, que tem sido popular por esses tempos). Gostei de tantos que não consigo ficar sem compartilhar alguns:

there
are feelings.
you haven't felt yet.
give them time.
they are almost here.
– fresh
racism is a translucent skin.
it defends itself
by
attacking itself.
– reverse racism
i lost a whole continent.
a whole continent from my memory.
unlike all other hyphenated americans
my hyphen is made of blood. feces. bone.
when africa says hello
my mouth is a heartbreak.
because i have nothing in my tongue
to answer her.
i do not know how to say hello to my mother.
– african american ii
for me
there is no other.
because there is no default.
everyone
is
a variation of life.
– the human being | the human gender | the human sex

Depois, explorando um canal do YouTube por causa de um tweet, cheguei a um vídeo sobre despedidas que achei muito massa. Em um momento o cara comenta sobre um livro de contos que escreveu com várias outras pessoas chamado Destino e resolvi ler – todos abordam esse tema, alguns são mais breves e outros se desenvolvem bastante, tendo até mesmo realismo fantástico. Gostei mais dos primeiros mas achei bacana a ideia e foi uma leitura leve.

A verdade é que talvez, mas só talvez, haja milhões de maneiras certas e esses fios vermelhos estejam nos amarrando a todos e a qualquer um.
Minha dor não é e nunca foi inútil. (...) talvez, pela minha própria dor, eu possa ter encontrado um pedacinho do meu ser.

Também li Os meninos morenos, do Ziraldo. São memórias de sua infância despertadas após uma viagem à Guatemala, onde conheceu o poeta de origem maia Humberto Ak'abal (que tem alguns poemas inseridos no livro também) – sua poesia trata de seu pueblo e dos meninos cuja identidade tanto se assemelha aos meninos de Ziraldo, além de que são "filhos da mesma floresta". Foi uma leitura bastante agradável: pequenos trechos, desenhos e poemas que quase sempre puxam um sorrisinho. Bastante simples e curto mas, como fez salt, dá brecha a vários pensamentos que perduram. Abaixo vários trechos.

Foi cheia de adjetivos inadequados a noite que está na minha memória com todos os seus detalhes: o cerimonial do nascimento do meu segundo irmão. Mesmo assim continuei, por muito tempo, acreditando que as crianças chegavam à vida trazidas no bico de uma cegonha. Até o dia em que, diante de alguém tentando me contar mais uma vez a velha história, ouvi meu estabanado avô berrar: "Que cegonha, coisa nenhuma! Conta a verdade  pro menino! No país que tem passarinho de tudo quanto é jeito voando nessas matas, o povo vem inventar uma desgraça duma ave que nunca voou por aqui!". Eu perguntei, então, que passarinho era o portador dos bebês. O velho ferreiro berrou mais alto: "O passarinho é o que entrou na barriga da sua mãe, sô, um homem dest'amanho!".
Todas as comidas feitas de véspera, as camas desfeitas, a casa sem varrer, nem brincar, nem falar alto, ruído nenhum. Qualquer barulho aumentaria a dor nas chagas de Cristo. Era sexta-feira da Paixão e meu pai, cedinho, nos acordava e, bem baixinho, explicava pra gente como devíamos agir naquele dia e dissertava sobre o que era respeito, e a gente achava sensacional o desafio de ficar quietinho um dia inteiro.
A gente não estudava. Não tinha tempo. A gente brincava. Quando chegava, porém, a época das provas, tome angústia. A noite inteira acordado, o abajur aceso sobre o livro de Ciências, a lista dos pontos, os pés dentro de uma bacia de água para não dormir (como fazia Machado de Assis, coisa que a gente aprendeu lendo e não estudando).

Singh Bean cita Cartas a um jovem poeta (de Rainer Maria Rilke) em Život je tady, que li há pouco tempo, e peguei pra ler pois vi que era um livro disponível no Kindle Unlimited. É composto por conselhos em forma de correspondências para Franz Kappus, jovem que aspira à profissão artística e pede orientação do escritor, que discorre sobre solidão, tristeza, amor, deus, arte e etc. Achei muitas coisas bastante inspiradoras e interessantes, embora algumas vezes tenha tido que reler trechos pra fazer passar a sensação de "cê tá se achando o sabedor de tudo, não é bem assim" (compreendendo melhor acabava até que concordando).

As coisas estão longe de ser todas tão tangíveis e dizíveis quanto se nos pretenderia fazer crer; a maior parte dos acontecimentos é inexprimível e ocorre num espaço em que nenhuma palavra pisou.
Afinal de contas, queria apenas sugerir-lhe que se deixasse chegar com discrição e gravidade ao termo de sua evolução. Nada a poderia perturbar mais do que olhar para fora e aguardar de fora respostas a perguntas que talvez somente seu sentimento mais íntimo possa responder na hora mais silenciosa.
Se Ele é o mais perfeito, não deve ter havido algo menor antes d'Ele para que Ele se pudesse escolher a si mesmo dentro da plenitude e abundância? Não deverá ser Ele o último, para encerrar tudo em si? Que sentido teria a nossa vida se Aquele a que aspiramos já tivesse sido?
Sua dúvida por tornar-se uma qualidade se o senhor a educar. Deve-se transformar em saber, em crítica. Cada vez que ela lhe quiser estragar uma coisa, pergunte-lhe por que aquilo é feio. Peça-lhe provas, examine-a; talvez a ache indecisa e embaraçada, talvez revoltada. Mas não ceda, exija argumentos. Ponha-se a agir assim, atenta e consequentemente, cada vez, e dia virá em que, de destruidora, ela se tornará sua melhor colaboradora. talvez a mais sábia de quantas cooperam na construção de sua vida.

O eBook tem duas partes, na verdade, e a segunda chama-se A canção de amor e de morte do porta-estandarte Cristóvão Rilke. É uma pequena história protagonizada por esse jovem, em algum momento do século XVII, a serviço de uma cavalaria austríaca; ele se envolve brevemente com uma condessa no castelo onde se hospedam, acontece um incêndio do lado de fora e ele acaba morrendo (não é spoiler se tá no título, né?).

As altas chamas tremulavam, as vozes estrugiam, confusas canções jorravam dos cristais e das luzes; e finalmente dos ritmos amadurecidos brotou a dança. E a todos arrastou. Era um bater de vagas pela sala – um encontrar-se e um escolher-se, um despedir-se e um reencontrar-se, um embriagar-se de brilho e um cegar-se de luz, e um embalar-se no vento estival que mora nas roupagens das cálidas mulheres.
A câmara da torre está apagada. Mas eles iluminam seus rostos com sorrisos. Tateiam diante de si como cegos e encontram o outro como uma porta. Quase como crianças assustadas diante da noite, apertam-se um ao outro. No entanto nada temem. Não há nada contra eles: nenhum ontem e nenhum amanhã, pois o tempo se desmoronou. E eles florescem das suas próprias ruínas.

Também li Mayombe, de Pepetela, e gostei demais. A história se desenvolve durante a guerra de independência da Angola contra Portugal, tendo como personagens os guerrilheiros do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA). Todos têm apelidos de acordo com sua personalidade e/ou atitudes: Sem Medo é o comandante muito valente, Mundo Novo é bem estudado nas tendências europeias marxistas, Milagre é o melhor bazukeiro, Teoria é o professor do grupo e assim por diante. O livro é muito real, mostrando o cotidiano dos que faziam a luta revolucionária, bem como seus sentimentos, reflexões, contradições e conflitos – coisa que recebeu até críticas na época que foi lançado, já que exibia suas falhas e divisões internas, uma vez que o tribalismo continuava tendo voz. Cada pessoa tem sua razão para estar ali e isso fica claro nos trechos onde personagens tomam frente da narrativa, já que através desse recurso conhecemos a origem e as experiências de diferentes elementos do movimento. O que mais se destaca é Sem Medo, que tece a história com muitos ideais interessantíssimos à medida que conta sua jornada, aconselha seu companheiro Comissário e gerencia a frente libertadora. Esse vídeo é um ótimo complemento.

Os guerrilheiros encavalitaram-se num enorme tronco caído. Deixara de respirar, monstro decepado, e os ramos cortados juncavam o solo. Depois de a serra lhe cortar o fluxo vital, os machados tinham vindo separar as pernas, os braços, os pelos; ali estava, lívido na sua pele branca, o gigante que antes travava o vento e enviava desafios às nuvens. Imóvel mas digno. Na sua agonia, arrastara os rebentos, os arbustos, as lianas, e seu ronco de morte fizera tremer o Mayombe, fizera calar os gorilas e os leopardos.
— (...) As pessoas devem estudar, pois é a única maneira de poderem pensar sobre tudo com a sua cabeça e não com a cabeça dos outros. O homem tem de saber muito, sempre mais e mais, para poder conquistar a sua liberdade, para saber julgar. Se não percebes as palavras que eu pronuncio, como podes saber se estou a falar bem ou não? Terás de perguntar a outro. Dependes sempre de outro, não és livre. Por isso toda a gente deve estudar, o objetivo principal duma verdadeira Revolução é fazer toda a gente estudar.
— (...) Isso é que me enraivece. Queremos transformar o mundo e somos incapazes de nos transformar a nós próprios. Queremos ser livres, fazer a nossa vontade, e a todo momento arranjamos desculpas para reprimir os nosso desejos. E o pior é que nos convencemos com as nossas próprias desculpas, deixamos de ser lúcidos. Só covardia. É medo de nos enfrentarmos, é um medo que nos ficou dos tempos em que temíamos Deus, ou o pai ou o professor, é sempre o mesmo agente repressivo. Somos uns alienados. O escravo era totalmente alienado. Nós somos piores, porque nos alienamos a nós próprios. Há correntes que já se quebraram mas continuamos a transportá-las connosco, por medo de as deitarmos fora e depois nos sentirmos nus.

Depois foi a vez de Viagem solitária, de João W. Nery, que eu nem esperava que tivesse no Kindle Unlimited. É uma autobiografia do primeiro homem trans brasileiro de que se teve notícia, narrando as angústias presentes desde a infância pela incompatibilidade que sua mente encontrava em seu corpo. Ele percorre por todos os pontos que construíram sua jornada – o bullying, a depressão, os relacionamentos, a autoafirmação, as cirurgias, o recomeço, a paternidade –, bem como vários nomes que tiveram algum impacto em sua vida. Pelo que parece é uma espécie de atualização/complemento de sua primeira obra, Erro de pessoa: Joana ou João?, publicada em 1984. Pra citar Simone Ávila, que no final do livro fala um pouco sobre o autor: Ele se pergunta: "em que grupo existente eu me enquadraria?". Ou, dito de outro modo, "quem inventou essa coisa de que temos de nos enquadrar no que já existe?!? Por que não podemos simplesmente ser o que queremos ou quisermos?!? Por que eu tenho de seguir normas que não são minhas?!?" É doloroso pensar no tanto de pessoas incompreendidas que precisaram encarar tanto sofrimento numa época de repressão onde ainda faltava muito avanço, e ainda há um longo caminho a se percorrer nos dias de hoje.

"Você nasce e morre dentro de caixas. Caixa da família, da escola, do casamento e depois vai para o caixão. Ponha o pé para fora disso e você já é estigmatizado. Tem que ter muita estrutura para segurar a peteca da marginalidade."
Quando sentia medo, pelo menos pressupunha um objeto, uma ameaça, algo que eu pudesse de algum modo contornar ou dele fugir. Porém, nessa angústia nada me ameaçava claramente. Não havia um objeto a ser enfrentado para prosseguir minha estranha caminhada existencial. Percebi, então, que o "sem sentido" e o "sem valor" da minha angústia me tornavam um estrangeiro nesse mundo tão cheio de categorias. A ironia era precisar de um rótulo, do que todos tentam fugir.
Depois de lhe contar a última com meus amigos trans, sobre o homem grávido, perguntei a opinião dele. Respondeu sem pestanejar:
— Acho que precisamos ser mais tolerantes.

Frigg tecendo as nuvens (John Charles Dollman, 1909)
Então li Edda em prosa - Gylfaginning e Skáldskaparmál, de Snorri Sturluson, escrito por volta de 1220. Esse cara foi famoso por defender a ideia de que os deuses mitológicos surgiram através de reis e figuras históricas que eram invocados em combates e venerados até serem lembrados apenas como divindades, e os relaciona com personalidades troianas e com o cristianismo. Tem de tudo sobre mitologia nórdica, com muitos detalhes e ilustrações. Gostei mais da primeira parte, que se traduz como "a ilusão de Gylfi" e se concentra mais nas proezas de deuses e outros personagens, enquanto que a outra ("poesia dos escaldos") se demora em metáforas e trechos de diferentes poetas sobre elas. Acho engraçado como mitologias sempre têm elementos absurdos, e alguns deles me chamaram a atenção neste livro – de um bloco de gelo lambido por uma vaca surge o homem que viria a ser avô de Odin; Heimdallr é filho de nove damas, todas irmãs; Loki deu à luz a um potro após se transformar em égua e ter certas relações com um cavalo... Mas é muito legal lembrar de coisas que fazem referência às diversas histórias e nomes: O Anel dos Nibelungos (ópera alemã), nomes de anões de O Senhor dos Anéis, crenças dos personagens de Vikings (seriado do History), o "feitiço"/espada Brisingr (livro de Christopher Paolini) e Gjallarhorn (banda finlandesa que fala sueco). Sempre gosto de saber sobre isso e foi uma leitura válida, além de ter sido a primeira coisa islandesa que eu leio, provavelmente (considerando que admiro muito esse país).

Há uma terceira coisa sobre a terra: quando sua superfície é revirada e desenterrada, a grama cresce no solo. Montanhas e rochedos foram associados aos dentes e ossos de criaturas vivas, e assim eles viam a terra de alguma forma como um ser com vida própria. Eles sabiam que era inconcebivelmente antiga em idade, e por natureza, poderosa; ela deu origem a todas as coisas e possuía tudo o que morria, e por isso deram-lhe um nome e reconheceram sua descendência dela.

Por último, ainda vou ler Uma duas (de Eliane Brum), mas isso é assunto pra outra postagem.

sábado, 13 de maio de 2017

despejos

relatos pessoais: eu tenho me sentido diferente já faz algum tempo. (engraçado que tomei consciência disso logo após completar 18. seria a vida adulta?) parei de esquentar a cabeça por não alcançar coisas que eu acho que quero e por não ser quem eu acho que eu gostaria de ser. eu olho pras coisas e reviro os olhos, não tenho vontade de saber, etc, etc. tenho pensado que a internet não tem muito sentido na maior parte do tempo; pelo menos pra mim não tá mais funcionando. tô me isolando de novo, mas dessa vez não tô detestando minha companhia o tempo todo nem sentindo falta de gente.

trecho de Spirits of the dead, de Edgar Allan Poe

penso em apagar várias coisas minhas, mas às vezes me falta coragem ou tenho dó. sei que existe uma grande chance de que eu mude de ideia daqui a algum tempo e queira tudo de volta, mas acho que seria bom me afastar um pouco, considerando que nunca fiz isso e que as circunstâncias estão como estão. (talita tá me inspirando nessa.) já separei outro espaço pra registrar coisas que não quero perder com a memória que possuo e não sei exatamente pra que usar este blog, mas, de qualquer forma, vou deixar aqui textos que estavam no tumblr (que deletei) e que não ligo muito de ter expostos.

talvez eu seja as gotas [uma conversa antiga]

— Fique olhando pras gotas por bastante tempo… Não dá uma agonia? Agonia legal. 
— Nossa, dá. Pra mim é uma agonia que dá vontade de chorar. Talvez eu seja chorona mesmo. 
— Pra mim dá vontade de limpar o vidro logo para elas pararem de ser gotas, mas ao mesmo tempo não dá porque elas são gotas muito bonitas. 
— Pra mim é como se elas precisassem se mexer, assim como todas as gotas fazem, mas elas não querem e não o fazem. 
— Por que elas não querem? Mas verdade, dá agonia de vê-las paradas enquanto podiam estar fazendo algo melhor, algo que gotas fazem. 
— Não sei. Talvez elas não consigam. Talvez tenham medo. 
— Nossa, poxa… Mas gotas fazem isso, não tem do que ter medo. Se elas não querem e têm medo é por algum motivo. 
— Ah, sei lá. Talvez elas estejam confortáveis ali paradas e queiram continuar assim pois mudar as assusta. 
— Hm, entendo… Que pena pra elas. Mas ainda acho que tem alguma coisa que as deixam assustadas. Elas não sabem o que estão perdendo deixando de fazer o que gotas fazem.

segunda-feira, 16 de novembro de 2015 [uma crônica secundarista]

levantei cansada e suada. parecia até que eu tinha dado a volta no quarteirão ao invés de ter dormido. estranhamente o despertador não fez barulho algum, só ficou ali piscando, de novo. mas acordei com isso. cinco minutos de cochilo extra que não serviram pra muita coisa e eu estava indo ao banheiro lavar meu rosto, pescoço e pulsos. (uma vez, quando não estava me sentindo bem, uma professora disse pra eu fazer isso. não sei se faz alguma diferença esfriar os pulsos com água, mas virou costume.) tirei a roupa com a qual tinha dormido, coloquei uma calça jeans e lembrei o quão agoniante foi aquela tarde de sol, três dias atrás, vestindo-a. peguei outra e coloquei qualquer camiseta de uniforme. ainda suava. apesar de eu não ter desligado o wi-fi na noite passada, minhas mensagens não carregavam; estranhei. não deu tempo de terminar de comer o pão que minha mãe deixara pronto pra mim, de novo. enrolei em papel toalha e corri lá pra fora; o motorista da van já tinha buzinado duas vezes. errei a chave do portão e saí xingando. “a luz não acendeu, já tava quase indo embora”, ele disse, ao meu bom dia. não respondi. tentei comer o resto do pão na van mas fiz sujeira, então guardei na bolsa. com o calor não pensei em pegar casaco, mas senti um arrepio incômodo. ignorei, coloquei os fones. não fiquei com eles por muito tempo, algo parecia errado. tentei ler, não pude me concentrar. fiquei decepcionada por ter pego peso extra pra carregar. ao chegar na escola percebi que vestira o uniforme curto que me desagrada, ainda mais quando junto àquela calça de cintura baixa, e não tinha nada pra cobrir, já que não tinha pego agasalho. fui ao banheiro e lembrei que tinha começado a sangrar antes de dormir. tentei me preparar psicologicamente pra sofrer com as cólicas que, por não terem interrompido meu sono, provavelmente me acometeriam logo. desaprovei meu reflexo no espelho e voltei ao meu lugar de praxe. parecia estar tudo bem, estava finalmente contigo depois de quatro longos dias, mas eu ficava tendo picos de suor e calafrios. subimos à sala pra deixar as mochilas e me senti mal, te abracei e não soltei logo e você estranhou porque tínhamos que ir logo à sala de vídeo. “tá tudo bem?” respondi que não. “não?” fiquei ali escondida em você por um instante antes de voltar a ignorar o mal-estar. você ficou vigilante, solícito. melhorei logo. como poderia me sentir ruim tendo seu olhar ao alcance do meu? (eu te amo.) mais tarde vieram as hóspedes violentas. descrevi pra você a dor nas coxas que sempre acompanha minhas cólicas: como se estivessem tentando arrancar a carne do meu fêmur com uma espátula. fica até pior que a dor no útero; elas competem pra ver qual me derruba primeiro. você me fez massagem, ficou ali ao meu lado, paciente. quase vomitei de dor. (mesmo assim me ofereceu seus beijos.) sentamos juntos pra fazer o exercício de física e ao acabar a aula você pensou que estávamos adiantados, mas já passava do horário de saída. você foi embora correndo depois de me abraçar e eu fui buscar remédio com a minha mãe. minha cabeça também doía um pouco, aliás, mas não o bastante pra chamar minha atenção quando eu já tinha as outras dores. acho que a tarde prosseguiu normalmente. agora, enquanto escrevo, sinto como se tivesse insetos me mordendo. já não vejo por aqui aquelas formigas, mas tenho essa impressão sempre que me sento à mesa. como a impressão de que o dia seria estranho que tive ao acordar hoje de manhã. sei lá. 

terça-feira, 4 de outubro de 2016 [...bastante ólgusjór]

eu me senti tão mal por tanto tempo que, num instante em que consegui vencer a correnteza e espiar pela superfície pra tomar um ar, aproveitei pra tomar uma decisão que poderia me empurrar pro fundo definitivamente ou me colocar numa jangada. me senti segura e sensata, terminei. submergi, me coloquei pra dormir entre afogamentos de lágrimas e soluços. solução? desespero. e então, calma. o mar se abrandou e eu senti que podia respirar de novo.

me senti mal por você, pelo jeito que você lidou. mas o que eu podia fazer? fiquei ali, pra caso quisesse que eu te arremessasse um colete salva-vidas. eu não podia te salvar. daí passou, cê nem olhava mais pra mim. olhava assim, de vez em quando, pra saudações, despedidas e ocasionais “fique bem” (nada muito diferente de como estávamos antes, afinal).

daí veio aquela onda. tsunami? me arrastou. não de imediato, é claro, porque eu previ o abalo e me abriguei, mas não foi em terreno firme. eu não sou terreno firme. quando desabei levei tudo no caminho, voltei pra um buraco qualquer no leito das águas e me mantive onde não dava pra piorar.

e então a epifania. eu sei que ela tava esperando por mim, só não tinha encontrado o solo fértil ainda. ela floresceu e eu colhi. contemplei tudo e entendi. sou parte disso, tá tudo onde deve estar. e agora eu não tô tão equilibrada assim, mas eu tô consciente de que a ressaca só molha meus pés, de que eu consigo me segurar e sou capaz de ser minha própria âncora.

ainda dói, e ainda vai doer, mas é assim que tem que ser. e eu sei que consigo mudar, e vou, mesmo com esse pedacinho uniforme que vez ou outra se amplifica. eu sou eu sou eu sou.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2016 [dia do policast]

a cor do cachimbo é vermelha igual ao peito que sangra, sangrou e sabe que ainda tem muito o que sangrar. torpor, selecionando o automático e não encontrando a fagulha pra acender o que queimou. já queimou? pensei que tinha queimado tudo mas juntando os nossos restos fiz uma pira nova. pilhada em não falhar tropeço, pilhada em cumprir me impeço, não me meço e arremesso vento demais na chama se corro pra um falso progresso. uma coisa que vi no chão e levei comigo caiu de novo e alguém me avisou, me entregou, “saúde” (obrigada). um retorno à dor que eu escondi malemá e contaminou o visível, mas deixei de me importar: por que aparece e emerge acima de tudo como se fosse membrana seletiva do meu ar? redoma de vidro, tá abafado faz muito tempo e meu grito estourou meu ouvido. ouço com os olhos pois sinto vazar os meios, inteiros, partes e recortes, rasgos, colagens que vou fazendo e vendo onde tudo leva. leva embora o sentimento tóxico, o atentado à realidade, à real idade da consciência que desabrocha após a dormência. ainda tenho hematomas presentes e eles me lembram do necessário: me mudo. por vezes, ainda muda, observando, deletadas as memórias de histórias onde minha voz também conduzia e construía. percebendo que tudo não passou de retalhos retirados das cobertas que se colocavam entre mim e o que tinha no escuro, olhos, palavras sussurradas na orelha se não estivessem tapados os ouvidos, respiração encostada na pele que se arrepia de qualquer jeito - os buracos que foram feitos denunciaram que tudo era só um espelho. o quão fundo afoguei as mãos pra trombar em qualquer solidez? nem filtrei a água salobra. meu palpite é de que foi raso: estive nas margens e das margens tive o relance do erro que é acerto e conserta, tenta e sabe que tudo conta mas arquiva as hipóteses por medo. (desculpa por ser eu mesma quem me afasta.) sentimento de ódio e rancor que mastiga e chupa os ossos do vivo-morto. não respira mesmo: um clube da luta onde são dados e recebidos socos, mas não o suficiente pra pararem de gritar “loucos!”. na minha cabeça retoma-se o ritmo da auto condenação até que me recordo de como as coisas realmente são. sombras na minha pele e na minha mente, essas últimas preenchem o vazio com o barulho do portão se abrindo, das rodas deslizando no piso. todo eco se amplifica através de todas as fitas que tenho gravado, mas sinto que finalmente desloquei minha peça um espaço no tabuleiro. escuto e absorvo, grata por quem sendo o que é se faz luz e me eleva também. perdoo, substituo o ponto pela vírgula.

(ela acha que eu quero distância e tenho nojo de todos os seus pungentes deslizes mas na verdade lamento por cê nunca ter me chamado pra fumar contigo. me envenena os pensamentos, atravessa minhas palavras com lâminas bem cuidadas que ferem sem enxergar. coisas pesam sobre o peito e me enterram onde me deito, ossos se quebram e perfuram o tecido sob eles.)

quinta-feira, 2 de março de 2017 [último texto desse tipo que fiz]

tem um abismo enorme entre onde eu to e onde eu queria estar. não consigo enxergar como isso que eu sou vai alcançar aquilo ali, tão distante. eu fico muito chateada por isso e quero me esconder, ficar invisível pra todas as pessoas do mundo porque tenho vergonha de mim. não olhe pra mim, dê um tempo até eu ser alguém que eu não desgoste tanto, por favor. eu sei que não adianta falar isso, reclamar, me sentir mal o tempo todo – nada vai mudar. eu sei que preciso esperar, ter paciência, viver no presente e entender que eu vou chegar lá quando eu tiver que chegar. que eu não sou outra pessoa e nunca vou ser, que tenho que me conformar com os limites da minha existência da forma que ela é, porque ninguém tem controle sobre isso, afinal. porque podia ser muito pior. é ridículo porque eu sempre trombo com isso, com essa mesma merda, sempre me repito e odeio me ouvir de novo e de novo. é idiota porque não consigo me mover, e só isso vai fazer alguma diferença. sério? desculpa.

acho interessante olhar pra coisas do passado e perceber que não sou mais aquela pessoa, não tenho mais os mesmos sentimentos ou pensamentos nem faria as coisas do mesmo jeito. anos atrás eu jamais preferiria escrever tudo com letra minúscula e até apoiava o he for she. coisa curiosa isso de crescer; rose quartz tinha razão em se fascinar com a capacidade de mudança dos humanos. (será que no futuro vou achar besta citar desenho animado?)

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Brilho temporário de uma mente quase sem lembranças

Enquanto escrevia sobre o curso técnico fiquei pensando a respeito da vida útil de minhas memórias, que considero mais curta do que deveria ser (tão curta que não percebi que usei exatamente a mesma frase no final da última postagem, mas finge que tá beleza). Tô tentando registrar mais as coisas que acontecem pra que eu não esqueça delas ou, pelo menos, possa ter por onde "ativar" suas lembranças. Por isso tô aqui (apesar de me incomodar com o jeito que as coisas ficam quando tô escrevendo desse jeito).

Em janeiro comecei a ler Roverandom (do Tolkien) mas não me fixei muito à leitura, apesar de ser agradável, e acabou que a primeira coisa que li foi Claro enigma, do Drummond. Gostei bastante dos poemas; já tinha lido outros livros dele – dos quais, naturalmente, já não me lembro muito¹ – e sabia da simpatia por sua escrita, pelo menos. Anotei vários (abaixo tem um trecho de um deles). A questão é: eu não sou de ler poesia com frequência porque dificilmente consigo me concentrar e/ou compreender, e inclusive quero ler mais, mas gosto muito de quando são recitados como nos vídeos do Button Poetry, da Dottie James ou no estilo cater piem (s2).

O mundo não tem sentido.
O mundo e suas canções
de timbre mais comovido
estão calados, e a fala
que de uma para outra sala
ouvimos em certo instante
é silêncio que faz eco
e que volta a ser silêncio
no negrume circundante.

Depois li A solidão dos números primos, de Paolo Giordano, livro que tava na minha lista só por causa do título, que me soou interessante, e da capa (à esquerda), que achei bem bonita. É sobre um casal de colegas, cada um marcado de alguma forma, que compartilham essa espécie de solidão. A história não me pareceu muito excepcional; tudo tem uma atmosfera meio "suspensa" e, apesar de várias coisas acontecerem, não me fisguei muito. (Trecho a seguir.)

Mattia achava que ele e Alice eram assim, dois primos gêmeos sós e perdidos, próximos mas não o bastante para se tocar de verdade. Ele nunca dissera isso a ela. Quando imaginava confessar-lhe essas coisas, a sutil camada de suor das suas mãos evaporava completamente, e durante longos dez minutos não era mais capaz de tocar nenhum objeto.

As meninas, de Lygia Fagundes Telles, foi o que se seguiu. De novo encontrei dificuldade em manter um ritmo de leitura, mas dessa vez a narrativa me atraiu bastante. Tem essas três amigas, extremamente diferentes entre si, e cada hora a história é contada sob a perspectiva de uma delas – uma estuda direito e vive em seu mundinho de sonhos, outra é militante comunista e tá sempre envolvida em suas causas e a outra é viciada em drogas. É um título muito relevante tanto no contexto da ditadura militar quanto na questão feminista; o final me pegou de surpresa mas pensando agora me parece adequado à autora, de quem já li vários contos. Curti a leitura – aqui uma citação de "Lião".

— Não quero ser rude, mãezinha, mas acho completamente absurdo se preocupar com isso. A senhora falou em crueldade mental. Olha aí a crueldade máxima, a mãe ficar se preocupando se o filho ou filha é ou não homossexual. Entendo que se aflija com droga e etcétera, mas com o sexo do próximo? Cuide do seu próprio e já faz muito, me desculpe, mas fico uma vara com qualquer intromissão na zona sul do outro, Lorena chama de zona sul. A norte já é tão atingida, tão bombardeada, mas por que as pessoas não se libertam e deixam as outras livres? Um preconceito tão odiento quanto o racial ou religioso. A gente tem que amar o próximo como ele é e não como gostaríamos que ele fosse.

Ted Hugues, o então marido de Sylvia.
Mais recentemente assinei o Kindle Unlimited da Amazon, porque me ofereceram uma promoção muito massa e só assim pra eu gastar algum dinheiro sem ter mil receios. Li um pequeno eBook, Desenhos, que trata um pouco da parte artística da Sylvia Plath. Bem bonitas suas ilustrações (abaixo). Outro dia tentei ler Entrevista com o vampiro, de Anne Rice, mas já tava saturada de vampiros (mais pra frente na postagem dá pra entender o porquê); depois ia começar Os trabalhadores do mar, de Victor Hugo, mas com isso do Kindle deixei pra mais tarde. Atualmente tô tentando ler Mayombe, de Pepetela, que tava na lista de leitura de 2016 da Fuvest (não sou muito fã de livros digitais). 

Uma vaca descansando no pasto.







                                                                       
Vi séries e filmes, também. Nunca consegui acompanhar séries porque meu entusiasmo nesse assunto dura pouquíssimo tempo; se eu não consigo assistir tudo em alguns dias já desanimo e deixo de lado. Mas esse ano consegui ver uns episódios de Black Mirror que me recomendaram; Stranger Things; a primeira temporada de Mr. Robot e de Avatar - The Last Airbender (sim) e, pela primeira vez na vida, dois terços de How I Met Your Mother – mas só porque vi as 4 primeiras temporadas em 4 dias. Gostei praticamente de tudo, foi bacana imergir em várias histórias diferentes e pelo menos rende mais que minhas leituras, né. Ainda pretendo continuar Mr. Robot e terminar HIMYM e tenho uma lista grandona de interesses em outras séries, mas vamos devagar com isso.

Quanto a filmes, tô vendo até que bastante (comparado ao pouco que conseguia assistir quando me ocupava com ensino médio e curso técnico). Cuidado que lá vem um monte de comentários breves sobre um bocado de longas-metragens: vi The Lobster, filme bastante inusitado sobre um futuro onde é proibido que as pessoas fiquem solteiras, se não quiserem ser transformadas em animais; Waking life, uma enorme conversa sobre sonhos e estados da consciência movida por discussões filosóficas e religiosas (preciso ver várias vezes pra ir tirando as coisas aos poucos); Estômago, filme muito massa (piada não intencional aqui) sobre um cozinheiro e seus caminhos até parar na prisão; Arrival, um filme de alienígenas (baseado num conto premiado) com uma perspectiva diferente dos demais, tratando de comunicação e do conceito de tempo de uma forma muito legal – e com uma trilha sonora lindona; Moonlight, que ganhou o último Oscar de melhor filme e conta uma história de autoconhecimento e amor num cenário caracterizado por retratos focados em estigmas; Lavoura arcaica, narrativa muito doida e de linguagem poética sobre uma família, os conflitos causados a partir da fuga de um dos filhos e o que o levou a isso (baseado no livro de Raduan Nassar); Nise - O Coração da Loucura, sobre a incrível psiquiatra que lutou pra mudar os caminhos do tratamento de transtornos mentais no Brasil; A monster calls, filme demais de triste sobre um enorme teixo que desperta para ajudar um garoto a passar pelas dificuldades de sua vida (baseado no livro de Patrick Ness); Room, história muito tocante sobre um menininho e sua mãe, que moram por muito tempo num quarto que na verdade é seu cativeiro; Comet, filme que salta entre momentos de um relacionamento de 6 anos para contar sua progressão e regressão; Freeheld, baseado num documentário homônimo que conta a luta pelo reconhecimento da união de duas mulheres nos EUA no começo dos anos 2000; e, enfim, Big Hero 6, animação muito legal (que infelizmente demorei pra ver) sobre uma relação entre dois irmãos, robôs e jovens gênios que acabam virando heróis.

A alienígena mais bonita do universo.
Além desses, vi outros filmes que não tenho muito o que dizer sobre. Vi Moana no cinema com meus primos, bem bonitinho e tal mas não achei "tudo isso" que falaram; Mulan, porque pensava que nunca tinha assistido a ele todo, mas provavelmente ter visto tantos pedaços soltos fez com que eu não aproveitasse tanto; Atlantis - The Lost Empire, que eu queria ver há muito tempo porque passava um trailer do filme antes de algum DVD que eu tenho (gostei mas também não me surpreendeu); Persepolis, cuja HQ li há anos atrás, e que também não foi "aquelas coisas" porque sei lá, é só sobre a vida dela (ok que tem um pano de fundo pesado, mas tirei mais da leitura que do filme); reassisti La Vie d'Àdele, apesar de ser um filme que não acrescenta muito, mas dessa vez captei umas coisas diferentes da primeira vez que vi; reassisti Avatar (Neytiri ali em cima), que mesmo tendo assistido inúmeras vezes numa semana que tive Telecine liberado há anos atrás, gosto muito e nunca me canso; The Secret of Kells, uma animação que me chamou atenção só porque ano passado vi Song of the Sea (do mesmo estúdio/diretor) e gostei demais, mas não aconteceu nem perto do mesmo com essa; e, por fim, Treasure Planet, que também tinha um trailer no comecinho de algum DVD e é adaptação de A Ilha do Tesouro, livro de Robert Louis Stevenson que nunca consegui ler (achei o filme bacana).

Sinceramente...
Também reassisti os filmes da Twilight Saga, porque sou besta – reuni vários livros pra vender/doar e quando peguei os da minha quase-xará fiquei nostálgica e resolvi fazer essa maratona. Meu primeiro contato com os vampiros reluzentes foi através de uma prima muito leitora; ela é bem mais velha que eu mas se empolgou muito quando leu e saíram os filmes e me indicou fortemente. Li todos os livros duas vezes quando era mais nova, ganhei um box de diáriozinhos da saga de presente dessa prima, vi alguns filmes no cinema com minha mãe e uma amiga, imprimi o Sol da Meia-Noite que vazou na internet, comprei revistas especiais sobre a história (#TeamEdward)... Foi uma parte muito grande da minha vida e, mesmo reconhecendo a mediocridade disso tudo, não consigo me desapegar das lembranças e sentimentos bons. Depois de rever os filmes fiz uma pequena crítica: Twilight é terrível, praticamente tudo é bem bostinha e os efeitos/montagens dão agonia; New Moon já começa mostrando que a produção tá muito melhor, as cores são bonitas e as pessoas mais convincentes, mas não entendo como uma pessoa possivelmente pode causar tantos acidentes a si mesma como a Bella; Eclipse é bacana por ter alguma ação mas tem sempre aquilo de não acontecer as coisas direito; Breaking Dawn dá umas agonias também – o que dizer sobre aquele Rio de Janeiro mega carnavalesco, sobre o português do Edward e MEU DEUS AQUELE BEBÊ RIDÍCULO, mas a Bella fica bonitona (eu esqueci que tudo o que acontece era só uma visão da Alice e fiquei muito indignada, mas tudo bem). Fiquei pensando em várias coisas: na falta de representatividade; por que nenhum vampiro tem cabelo colorido?; considerando que vampiros são praticamente mortos, como diabos o rapaz vai ser capaz de engravidar a coitada?; incrível eles terem relacionamentos monogâmicos em mais de 100 anos de "pós-vida"; até onde será que iria o amor eterno?; o cara viveu mais de um século e não desapegou das ideias conservadoras dele, véi; será que os lobos guardavam trocas de roupas enterradas pelos cantos pra quando precisassem se vestir depois de se destransformarem?; tivesse um pouquinho de amor livre ali e resolvia-se o impasse do triângulo amoroso; a pessoa tava mortinha daí de repente aparece vampiruda e ninguém ficou nem um pouquinho emocionado?... Mas enfim, acho que o que mais me marcou ao decorrer disso tudo foi a trilha sonora dos três primeiros filmes (Breaking Dawn só tem coisa melosa) – eu gosto demais das músicas escolhidas, quase de todas, e algumas bandas/cantores conheci graças a isso e ouço até hoje.

O último filme que vi foi Only Lovers Left Alive, que discute, a partir desse casal de vampiros, impressões opostas e complementares acerca da existência, algo meio yin e yang. É bem diferente de qualquer outro filme vampiresco que já vi e a trilha sonora é ótima, por sinal.

Uma parte que gostei.
Acho que falei tudo o que tinha pra anotar, deu mais coisa do que eu esperava. Valeu pra você que leu, um beijo na bunda e até segunda~ (mentira, mas achei engraçado essa frase que ouvi da minha tia)

¹ Em abril de 2014, escrevi o seguinte:
Ontem eu terminei minha leitura de A rosa do povo, do Drummond. As poesias foram escritas entre 1943 e 1945, nos anos decisivos da Segunda Guerra Mundial². É notável a forma que o poeta se expressou diante todo aquele conflito, mostrando a indignação, o medo, a tristeza, a dor de saber que enquanto estava a salvo bem aqui na América, do outro lado do oceano haviam milhares de pessoas sofrendo e morrendo. Os poemas são recheados com melancolia, sentimento de inutilidade, sentimentos humanos... a visão de alguém assistindo àquele show macabro sem poder interferir.

² Acompanhando tinha um comentário sobre outra obra que trata desse momento histórico:
Hoje li Maus, de Art Spiegelman, uma HQ que conta a história do holocausto através das vivências do pai do próprio autor. De uma perspectiva de alguém de fora, passei para a perspectiva de alguém que viveu tudo aquilo e sobreviveu para contar a história. Alemães são retratados como gatos e os judeus, como ratos. Imaginar que todos os episódios retratados aconteceram de fato é se chocar ainda mais, é temer, é se envergonhar por reclamar tanto da vida que levamos. É ter um exemplo literal de como o ser humano pode ser desumano.

quinta-feira, 9 de março de 2017

2ºs/2015 & 2016

Já tô há algum tempo querendo retomar e falar sobre todas as coisas que aconteceram durante o curso técnico que terminei ano passado junto ao ensino médio. Tenho vontade de juntar tudo o que produzi aqui também mas não vai ser muito fácil; tinha um rascunho aqui com um trabalho só, escrito vou terminar isso depois... enfim, isso vai ficar enorme mas vamo lá.

Eu soube do CV (abreviação para Comunicação Visual) através de um amigo que estudava comigo. Ele tava no primeiro semestre do curso e falou sobre as aulas e os professores e sobre como ele tava curtindo. Além de mim, mais três colegas se interessaram e se inscreveram, mas acabei sendo a única que ficou e terminou sem fazer pausas.

Os semestres no CV começam tradicionalmente com uma semana de integração, promovendo alguma atividade entre as classes, chamadas de CV1, CV2 e CV3 (de acordo com o semestre que estão, já que a duração é de três semestres). Logo nessa primeira semana tivemos palestra com uma moça que customiza tênis pra vender e planejamos nossa própria versão disso, sob o tema das Olimpíadas que estavam pra acontecer. Fiz dupla com minha amiga Karina e concordamos de enfeitar nosso par de tênis com elementos de nado sincronizado e cultura grega; até aparecemos no vídeo sobre o workshop que colocaram na então página do curso.
Ficou assim, ó.

No primeiro semestre também sempre acontece a "redecoração" de um muro branco onde trabalhamos com grafitti. Cada um fez seu stencil, tiramos uma aula pra repassar tinta branca sobre os desenhos do semestre anterior e depois pintamos os nossos.

Juro que não machuquei ninguém. Meu stencil + mão da amiga.

Ainda em 2015 tive a chance de participar de uma saída fotográfica com o curso inteiro, num dia de visita a uma cidade vizinha. Exploramos um engenho e a chuva que caiu fez uma moldura perfeita praquele lugar. Apesar de não ter aula de fotografia no primeiro semestre, tirei muitas fotos com meu celular; até já as mostrei em outra postagem, que acabou me salvando porque não muito tempo depois tive problemas com meu computador e perdi tudo o que tinha guardado nele. Nesse lugar também tava acontecendo os preparativos pra um festival bem bacana, o Afropira, e tinha uma exposição sobre alguma coisa do Brasil, talvez, mas lembrar com exatidão é exigir demais da minha cabecinha.

Eu aventureira; foto da Gabs. Mais registros desse dia aqui.
Depois de passar a manhã no Engenho Central caminhamos até o SESC (que fica bem perto) para ver uma seleção de obras da exposição Genesis, do fotojornalista Sebastião Salgado. As fotografias em preto e branco retratavam a natureza, os animais e os povos dos mais diversos cantos da Terra; eram belíssimas e foi muito legal estar naquele lugar ouvindo sobre o trabalho dele. Lá também tivemos uma palestra/debate sobre impressão 3D que foi muito interessante. Eu nunca tinha ido a algo assim e no geral foi um dia incrível, com certeza um dos melhores da vida.

Além dessas coisas tivemos trabalhos envolvendo design gráfico, mais especificamente o Illustrator, porque é o aplicativo que estudamos no primeiro semestre. Foi um obstáculo pra mim durante o curso todo porque não consigo me resolver bem com ele nem enfrentar a insegurança pra fuçar e conseguir me virar. Odeio meus trabalhos desse semestre, são bem meh (vou fingir que foi sem querer a falta de qualidade das imagens deles aqui), mas o que fiz de mais relevante foi 1. criar uma identidade visual e desenvolver cartão fidelidade, flyer e cardápio para um pub fictício de nome Leprechaun Beers Pub (cada pessoa propôs uma coisa, fazendo um "briefing", e depois sorteamos quem ia fazer qual), 2. escolher uma música brasileira que completaria de 25 anos pra cima em 2017 (apenas múltiplos de 5) e criar um tema sobre ela para o combo do McDonald's e 3. desenvolver um pôster para algum filme, seguindo conceitos de design gráfico.

Trabalho final de Meios de Impressão e Processos Gráficos.

Trabalho final de Aplicativos Informatizados em Design Gráfico. (A música é Acabou Chorare, dos Novos Baianos.)
Trabalho final de Formas Expressivas Bidimensionais. (Esse filme é muito legal.)

O segundo semestre do curso, que começou com 2016, foi com certeza o mais pesado. Digo assim porque tivemos um monte de trabalhos, mas também porque houveram conflitos no que diz respeito à coordenação e administração do curso e acabamos sofrendo por estar no meio do fogo cruzado. Apesar disso, foi uma época em que não tive tanto medo de fazer e mostrar coisas. Foi quando aprendemos a usar o Photoshop, começamos a estudar fotografia e iniciamos o TCC.

Não tive a mesma dificuldade que tive com o Illustrator no Photoshop, apesar de eu não me considerar muito boa nisso. Algumas coisas produzidas foram montagens bestas de trocar quadros e colocar pessoas, montar stands de companhias, criar um coisinho estilo scrapbook e um papel de bandeja interativo.

Me inspirei em Damon and Jo. Algumas fotos são deles.

Usei desenhos de Samanta Flôor, uma ilustradora que acompanho e admiro há muitos anos.
Estudamos também composição de fotos e alguns conceitos de fotografia. Tivemos trabalhos onde precisávamos retratar sentidos do corpo humano e visitamos o cemitério na avenida ao lado da escola num dia de chuva pra tirar fotos com câmeras digitais compactas.

Som.
Cemitério da Saudade (é o nome da avenida).
Também criamos uma marca fictícia pra trabalhar conceitos de representação de identidade visual. Inventei um projeto cultural de exibição de filmes adaptados de livros brasileiros, que se realizaria na biblioteca da minha cidade e seria gratuito para todos os públicos. Primeiro fizemos um catálogo pra falar sobre o conceito e exibir os produtos/serviços, depois um manual de identidade visual pra orientar sobre a marca e suas aplicações. Criei o símbolo no Illustrator, fiz montagens no Photoshop e usei fotos minhas pro "fundo" das páginas do catálogo, deixando-as meio opacas (percebi depois que imprimi e entreguei que talvez eu devesse tê-las deixado mais claras pra que fosse mais fácil ler o monte de informação que eu coloquei, mas já foi, né).


Estudamos tipografia e elaboramos a nossa própria para outra marca que tínhamos criado – nessa matéria a proposta foi a de criar uma agência de publicidade a partir de um símbolo montado com peças de tangram. Eu tinha feito uma abelha e chamei minha marca de Colmeia porque não sou nem um pouco inovadora, e usei hexágonos pra ir construindo letras. (Juro que não é de propósito esse uso de abelhas em trabalhos finais.) Tá tudo bonitinho aqui.

Nas aulas de Influência dos Movimentos Artísticos na Comunicação Visual aprendemos bastante coisa e vimos muitos filmes e documentários. Meu trabalho final foi um coisinho de pendurar (quando eu lembrar a palavra certa vou substituir aqui) que não é nada de mais, mas as coisas que me levaram até ele foram bem legais: tínhamos que escolher um artista estrangeiro cuja obra estaria presente na 32ª Bienal de São Paulo e produzir algo que envolvesse tanto a arte dessa pessoa quanto a nossa. Minha artista foi a Rita Ponce de León, em cujos trabalhos se vê a influência e a importância das pessoas ao seu redor, o que me levou a perguntar algumas coisas pra pessoas com quem convivo pra poder desenhar sobre o que diziam (acabei usando a felicidade como tema, como ela é diferente pra cada pessoa e pode ter diferentes facetas, e tentei expressar isso construindo o tal negócio). Deixei parte do trabalho e bastante coisa sobre ela aqui.

Se alguém souber a palavra me fala, por favor...
Outra coisa muito massa envolvendo o CV foram as palestras de várias pessoas diferentes. No começo do ano passado acabou não rolando semana de integração e, em vez disso, duas ex-alunas foram contar sobre suas experiências, tanto no curso quando em caminhos tomados a partir dele (em design de produtos e artes visuais); no mês seguinte outro ex-aluno fez o mesmo, dessa vez falando sobre produção de quadrinhos. Em maio recebemos um artista local pra falar sobre graffiti e, um pouco mais tarde, houve a 7ª Semana de Comunicação Visual – onde ouvimos sobre animação/processos criativos, cinema, moda, zine e processos gráficos.

Por fim, o terceiro semestre foi tenso, mas muito bacana. Aprendemos o básico de web design e de modelagem 3D, estudamos ética, marketing e criação publicitária e finalizamos o TCC – que, aliás, era sobre reformar algum elemento identificado como mal trabalhado ou mal aproveitado de uma marca já existente (meu grupo fez o desenvolvimento de marca, projeto de identidade visual e web design para uma loja do segmento de instrumentos musicais).

Tivemos contato com câmeras DSLR nas aulas de fotografia e foi um prazer imenso; eu gosto muito de tirar fotos e me senti muito realizada manejando e produzindo imagens com uma câmera profissional.


Em setembro visitamos a fábrica da Faber-Castell em São Carlos e, em novembro, a 32ª Bienal de SP, sob o título Incerteza Viva – que foi incrível, por sinal. Sabia bastante coisa sobre vários artistas por causa dos trabalhos de meus amigos e, apesar de não ter tido tempo suficiente para ver e digerir as obras dos 81 participantes, foi maravilhoso poder presenciar tanta arte junta. Nesse semestre escolhemos artistas brasileiros para inspirar nosso último trabalho artístico e foi a partir da arte de Wilma Martins que construí minhas colagens.


Fiz muitos desenhos, aliás, mas as fotos não são muito boas e ainda não tive paciência pra digitalizar. Quando eu fizer isso talvez deixe no flickr.

Amigos observados e desenhados com carvão vegetal.
Acho que isso é tudo que eu tenho a dizer sobre esse ano e meio de curso técnico; me preocupo com a vida útil da minha memória e por isso achei relevante registrar isso aqui. Sou grata por ter vivido tanta coisa nesse tempo, cresci absurdamente lá dentro e tive companhias extraordinárias. Fico feliz de ter tomado a decisão de fazer parte disso =)

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

re)visita

Achei isso nos rascunhos de outro blog meu, também abandonado. É um poeminha feito por uma prima que na época tinha nove anos. Era agosto de 2014 quando salvei isso e coloquei que ela escreveu um soneto invertido sem perceber... a Stephanie de agora teve que pesquisar na internet o que seria isso. 

Quando vejo o sol
quero ser os planetas
para nunca ficar sozinha.
Quando vejo as nuvens
quero ser o vento
para levar a liberdade.
Quando vejo a lua
quero ser as estrelas
para sentir o brilho,
para sentir a beleza.
É o universo,
lindo de se olhar.
O céu é bonito,
mas com o universo nem se compara.

Eu tinha escrito umas coisas engraçadas refletindo sobre: "Imagine só, ser um planeta e ver tanta coisa ao seu redor. Tanta presença, tanta magnitude, ter um sentido pelo qual é guiado. Imagine só, poder ser leve como o vento, livre como o vento, etéreo como o vento. Imagine ter um brilho que vem de dentro, que revela sua beleza interior, sua alma. Ter tal pureza. Os olhos buscam vastidão, infinitude. Tem coisa mais vasta e infinita que o universo, como um todo? O céu é belíssimo, mas se pudéssemos observar o universo a todo instante, seríamos mergulhados nessa magnificência inefável." Hoje dou risada só, por ser uma pessoa diferente e por ter esquecido completamente disso.