quinta-feira, 9 de março de 2017

2ºs/2015 & 2016

Já tô há algum tempo querendo retomar e falar sobre todas as coisas que aconteceram durante o curso técnico que terminei ano passado junto ao ensino médio. Tenho vontade de juntar tudo o que produzi aqui também mas não vai ser muito fácil; tinha um rascunho aqui com um trabalho só, escrito vou terminar isso depois... enfim, isso vai ficar enorme mas vamo lá.

Eu soube do CV (abreviação para Comunicação Visual) através de um amigo que estudava comigo. Ele tava no primeiro semestre do curso e falou sobre as aulas e os professores e sobre como ele tava curtindo. Além de mim, mais três colegas se interessaram e se inscreveram, mas acabei sendo a única que ficou e terminou sem fazer pausas.

Os semestres no CV começam tradicionalmente com uma semana de integração, promovendo alguma atividade entre as classes, chamadas de CV1, CV2 e CV3 (de acordo com o semestre que estão, já que a duração é de três semestres). Logo nessa primeira semana tivemos palestra com uma moça que customiza tênis pra vender e planejamos nossa própria versão disso, sob o tema das Olimpíadas que estavam pra acontecer. Fiz dupla com minha amiga Karina e concordamos de enfeitar nosso par de tênis com elementos de nado sincronizado e cultura grega; até aparecemos no vídeo sobre o workshop que colocaram na então página do curso.
Ficou assim, ó.

No primeiro semestre também sempre acontece a "redecoração" de um muro branco onde trabalhamos com grafitti. Cada um fez seu stencil, tiramos uma aula pra repassar tinta branca sobre os desenhos do semestre anterior e depois pintamos os nossos.

Juro que não machuquei ninguém. Meu stencil + mão da amiga.

Ainda em 2015 tive a chance de participar de uma saída fotográfica com o curso inteiro, num dia de visita a uma cidade vizinha. Exploramos um engenho e a chuva que caiu fez uma moldura perfeita praquele lugar. Apesar de não ter aula de fotografia no primeiro semestre, tirei muitas fotos com meu celular; até já as mostrei em outra postagem, que acabou me salvando porque não muito tempo depois tive problemas com meu computador e perdi tudo o que tinha guardado nele. Nesse lugar também tava acontecendo os preparativos pra um festival bem bacana, o Afropira, e tinha uma exposição sobre alguma coisa do Brasil, talvez, mas lembrar com exatidão é exigir demais da minha cabecinha.

Eu aventureira; foto da Gabs. Mais registros desse dia aqui.
Depois de passar a manhã no Engenho Central caminhamos até o SESC (que fica bem perto) para ver uma seleção de obras da exposição Genesis, do fotojornalista Sebastião Salgado. As fotografias em preto e branco retratavam a natureza, os animais e os povos dos mais diversos cantos da Terra; eram belíssimas e foi muito legal estar naquele lugar ouvindo sobre o trabalho dele. Lá também tivemos uma palestra/debate sobre impressão 3D que foi muito interessante. Eu nunca tinha ido a algo assim e no geral foi um dia incrível, com certeza um dos melhores da vida.

Além dessas coisas tivemos trabalhos envolvendo design gráfico, mais especificamente o Illustrator, porque é o aplicativo que estudamos no primeiro semestre. Foi um obstáculo pra mim durante o curso todo porque não consigo me resolver bem com ele nem enfrentar a insegurança pra fuçar e conseguir me virar. Odeio meus trabalhos desse semestre, são bem meh (vou fingir que foi sem querer a falta de qualidade das imagens deles aqui), mas o que fiz de mais relevante foi 1. criar uma identidade visual e desenvolver cartão fidelidade, flyer e cardápio para um pub fictício de nome Leprechaun Beers Pub (cada pessoa propôs uma coisa, fazendo um "briefing", e depois sorteamos quem ia fazer qual), 2. escolher uma música brasileira que completaria de 25 anos pra cima em 2017 (apenas múltiplos de 5) e criar um tema sobre ela para o combo do McDonald's e 3. desenvolver um pôster para algum filme, seguindo conceitos de design gráfico.

Trabalho final de Meios de Impressão e Processos Gráficos.

Trabalho final de Aplicativos Informatizados em Design Gráfico. (A música é Acabou Chorare, dos Novos Baianos.)
Trabalho final de Formas Expressivas Bidimensionais. (Esse filme é muito legal.)

O segundo semestre do curso, que começou com 2016, foi com certeza o mais pesado. Digo assim porque tivemos um monte de trabalhos, mas também porque houveram conflitos no que diz respeito à coordenação e administração do curso e acabamos sofrendo por estar no meio do fogo cruzado. Apesar disso, foi uma época em que não tive tanto medo de fazer e mostrar coisas. Foi quando aprendemos a usar o Photoshop, começamos a estudar fotografia e iniciamos o TCC.

Não tive a mesma dificuldade que tive com o Illustrator no Photoshop, apesar de eu não me considerar muito boa nisso. Algumas coisas produzidas foram montagens bestas de trocar quadros e colocar pessoas, montar stands de companhias, criar um coisinho estilo scrapbook e um papel de bandeja interativo.

Me inspirei em Damon and Jo. Algumas fotos são deles.

Usei desenhos de Samanta Flôor, uma ilustradora que acompanho e admiro há muitos anos.
Estudamos também composição de fotos e alguns conceitos de fotografia. Tivemos trabalhos onde precisávamos retratar sentidos do corpo humano e visitamos o cemitério na avenida ao lado da escola num dia de chuva pra tirar fotos com câmeras digitais compactas.

Som.
Cemitério da Saudade (é o nome da avenida).
Também criamos uma marca fictícia pra trabalhar conceitos de representação de identidade visual. Inventei um projeto cultural de exibição de filmes adaptados de livros brasileiros, que se realizaria na biblioteca da minha cidade e seria gratuito para todos os públicos. Primeiro fizemos um catálogo pra falar sobre o conceito e exibir os produtos/serviços, depois um manual de identidade visual pra orientar sobre a marca e suas aplicações. Criei o símbolo no Illustrator, fiz montagens no Photoshop e usei fotos minhas pro "fundo" das páginas do catálogo, deixando-as meio opacas (percebi depois que imprimi e entreguei que talvez eu devesse tê-las deixado mais claras pra que fosse mais fácil ler o monte de informação que eu coloquei, mas já foi, né).


Estudamos tipografia e elaboramos a nossa própria para outra marca que tínhamos criado – nessa matéria a proposta foi a de criar uma agência de publicidade a partir de um símbolo montado com peças de tangram. Eu tinha feito uma abelha e chamei minha marca de Colmeia porque não sou nem um pouco inovadora, e usei hexágonos pra ir construindo letras. (Juro que não é de propósito esse uso de abelhas em trabalhos finais.) Tá tudo bonitinho aqui.

Nas aulas de Influência dos Movimentos Artísticos na Comunicação Visual aprendemos bastante coisa e vimos muitos filmes e documentários. Meu trabalho final foi um coisinho de pendurar (quando eu lembrar a palavra certa vou substituir aqui) que não é nada de mais, mas as coisas que me levaram até ele foram bem legais: tínhamos que escolher um artista estrangeiro cuja obra estaria presente na 32ª Bienal de São Paulo e produzir algo que envolvesse tanto a arte dessa pessoa quanto a nossa. Minha artista foi a Rita Ponce de León, em cujos trabalhos se vê a influência e a importância das pessoas ao seu redor, o que me levou a perguntar algumas coisas pra pessoas com quem convivo pra poder desenhar sobre o que diziam (acabei usando a felicidade como tema, como ela é diferente pra cada pessoa e pode ter diferentes facetas, e tentei expressar isso construindo o tal negócio). Deixei parte do trabalho e bastante coisa sobre ela aqui.

Se alguém souber a palavra me fala, por favor...
Outra coisa muito massa envolvendo o CV foram as palestras de várias pessoas diferentes. No começo do ano passado acabou não rolando semana de integração e, em vez disso, duas ex-alunas foram contar sobre suas experiências, tanto no curso quando em caminhos tomados a partir dele (em design de produtos e artes visuais); no mês seguinte outro ex-aluno fez o mesmo, dessa vez falando sobre produção de quadrinhos. Em maio recebemos um artista local pra falar sobre graffiti e, um pouco mais tarde, houve a 7ª Semana de Comunicação Visual – onde ouvimos sobre animação/processos criativos, cinema, moda, zine e processos gráficos.

Por fim, o terceiro semestre foi tenso, mas muito bacana. Aprendemos o básico de web design e de modelagem 3D, estudamos ética, marketing e criação publicitária e finalizamos o TCC – que, aliás, era sobre reformar algum elemento identificado como mal trabalhado ou mal aproveitado de uma marca já existente (meu grupo fez o desenvolvimento de marca, projeto de identidade visual e web design para uma loja do segmento de instrumentos musicais).

Tivemos contato com câmeras DSLR nas aulas de fotografia e foi um prazer imenso; eu gosto muito de tirar fotos e me senti muito realizada manejando e produzindo imagens com uma câmera profissional.


Em setembro visitamos a fábrica da Faber-Castell em São Carlos e, em novembro, a 32ª Bienal de SP, sob o título Incerteza Viva – que foi incrível, por sinal. Sabia bastante coisa sobre vários artistas por causa dos trabalhos de meus amigos e, apesar de não ter tido tempo suficiente para ver e digerir as obras dos 81 participantes, foi maravilhoso poder presenciar tanta arte junta. Nesse semestre escolhemos artistas brasileiros para inspirar nosso último trabalho artístico e foi a partir da arte de Wilma Martins que construí minhas colagens.


Fiz muitos desenhos, aliás, mas as fotos não são muito boas e ainda não tive paciência pra digitalizar. Quando eu fizer isso talvez deixe no flickr.

Amigos observados e desenhados com carvão vegetal.
Acho que isso é tudo que eu tenho a dizer sobre esse ano e meio de curso técnico; me preocupo com a vida útil da minha memória e por isso achei relevante registrar isso aqui. Sou grata por ter vivido tanta coisa nesse tempo, cresci absurdamente lá dentro e tive companhias extraordinárias. Fico feliz de ter tomado a decisão de fazer parte disso =)

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