Olá. Não sei se mencionei na última "quinzena" que eu fiz, mas não gosto de fazer resumo de livros. Então sempre vou apenas comentar superficialmente sobre a história dos livros que menciono e vou evitar me aprofundar neles ou revelar seu enredo, pois acho que assim estragaria o prazer de quem fosse ler.
Dito isso, aqui vai um relato do que li na última quinzena.
| Estão juntinhos na foto pois peguei ambos ao mesmo tempo na biblioteca. Huhu. |
A revolução dos bichos, de George Orwell
O livro conta a história da Granja do Solar – ou Granja dos Animais, como passa a ser chamada depois que os bichos "tomam o poder". Antes de partir, o mais velho porco residente, Major, conta aos seus companheiros sobre um sonho que teve – e, antes disso, desperta o assunto da má condição de vida dos animais, da suposta ordem natural das coisas, fala sobre as desigualdades e injustiças que os bichos sofrem nas mãos dos humanos. Major incita um sentimento de revolta em todos que faz com que eles reconheçam a necessidade de revogar seus direitos e lutar por uma vida melhor. Os animais, então, expulsam o sr. Jones (humano proprietário da granja) e começam a controlar suas próprias vidas – ou, ao menos, é isso que eles pensam que farão. A realidade é que a monopolização só troca de mãos – ou seria melhor dizer patas?
É curioso analisar que o que é retratado em A revolução dos bichos é o que de fato acontece na sociedade em que vivemos. Somos iludidos por promessas de melhoras, progresso, felicidade, para no fim receber o mesmo tratamento opressor de sempre. As pessoas se revoltam, clamam por seus direitos, mudam o que desejam e depois são igualmente exploradas e alienadas. É triste perceber que não tem como saber em quem confiar – pois mesmo que os líderes em quem nos apoiamos sejam (supostamente) exemplares, eles podem ser corrompidos pelo poder ou, simplesmente, tirar a máscara mais tarde. É essa a história que te provoca em A revolução dos bichos: a triste injustiça existente há tanto tempo, retratada claramente. Na época em que foi publicado, em 1945, o livro foi recebido como uma sátira da ditadura de Stalin na União Soviética. Conflitante! Pergunto-me como pude demorar tanto para lê-lo. Gostei demais e acho que todas as pessoas deveriam ler este livro.
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Fahrenheit 451, de Ray Bradbury
"Fahrenheit 451 – a temperatura na qual o papel do livro pega fogo e queima..." Como diz esta pequena frase antes da história dar início, este livro fala sobre uma sociedade futurística que queima livros como repressão de conhecimento. Muito pior do que você possa ter imaginado que nossa sociedade há de se tornar um dia, neste mundo a alienação é completa e passa despercebida pelas pessoas. Os bombeiros não apagam incêndios – pelo contrário, eles os provocam. As casas são à prova de fogo e só são queimadas quando é descoberto a presença de livros. Apenas uma pessoa ou outra conserva um espírito sonhador e progressista, esperançoso e singular. E tudo muda na vida do bombeiro Guy Montag quando ele conhece a garota que mora na casa ao lado: Clarisse McClellan, nefelibata, distraída e diferente. Através dela, Montag percebe que as pessoas não vivem realmente, só fazem o que as circunstâncias mandam, sem reclamar, sem buscar felicidade. Citando uma fala dele: "Não precisamos que nos deixem em paz. Precisamos realmente ser incomodados de vez em quando. Quanto tempo faz que você não é realmente incomodada? Por alguma coisa importante, por alguma coisa real?"
Eu adorei este livro. Gosto muito quando um livro te incomoda, te cutuca, te pressiona e te faz refletir. Tem coisa mais interessante que parar e pensar sobre a vida que levamos, sobre como nosso mundo pode caminhar pra melhor ou pior, sobre como as pessoas agem e como nós mesmos agimos etc., depois de ler sobre coisas assim? É impressionante a história apresentada em Fahrenheit 451. Estava na minha lista desde quando li a trilogia Mundo de Tinta, há anos atrás, cujos livros possuem, em cada começo de capítulo, citações de outros livros. Assim como A revolução dos bichos, é para mim um livro de que me arrependo por ter demorado tanto pra pegar e ler. Mas até que é bom ter levado um tempo até estes livros chegarem a mim – os dois precisam de certa maturação de consciência para serem apreciados. Resumindo, Fahrenheit 451 é (assim como A revolução dos bichos, novamente) um livro que recomendo pra todas as pessoas. (E olha só: o autor nomeou dois personagens de Montag e Faber – sabemos que Faber é, naturalmente, um fabricante de lápis, enquanto Montag é uma fábrica de papel. Existe mais significado do que se imagina por trás dos nomes de personagens. Haha!)
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Curiosamente, ambos os livros sobre os quais falei tratam de assuntos parecidos. Incitam aquela revolta dentro de ti. Nesta semana, na Biblioteca da minha cidade, passou o filme Tempos Modernos, do Charles Chaplin. Nos dois livros e no filme mostra-se a infelicidade de quem é explorado injustamente, a necessidade de se buscar a felicidade... interessante esta coincidência.
Espero que alguém se sinta atraído por essas leituras. Por hoje é só. Até mais!
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