quinta-feira, 15 de maio de 2014

Quinzena: Persuasão e Lolita

Bom dia, boa tarde, boa noite.

Estamos na metade do mês e eu li Persuasão e Lolita até agora, neste mês. Comecei A ilha do tesouro hoje de manhã. Inclusive, eu não ia começar A ilha do tesouro já, porque eu tinha pego na biblioteca V de Vingança (HQ de Alan Moore, mesmo autor de Watchmen). Peguei-a ontem, antes de dormir, pra começar a leitura. E percebi uma coisa: não estou no momento certo pra uma leitura Alan Moore. Não estou com tempo livre para parar e refletir constantemente sobre os governos podres e as pessoas obsoletas, nem sobre o futuro do mundo ou sobre anti-heróis. Antes que eu começasse, decidi ler mais para frente. V de Vingança merece mais atenção do que eu daria neste momento, então o guardei pra outra hora.

Era pra eu estar fazendo uma lista de exercícios agora, mas não estou com cabeça pra pensar nisto também. Só quero paz, por favor e obrigada. Uma alternativa é escrever num blog, olha só. Então, aqui vai um breve resumo sobre os temas de dois livros que li nos últimos quinze dias, além da minha opinião sobre cada um deles.

Persuasão, de Jane Austen
A última obra de Jane Austen, Persuasão, foi publicada em 1818. Assim como em seus outros romances, este livro apresenta a história de uma mulher singular e que pensa "fora da caixa": Anne Elliot, filha do meio de uma família outrora muito rica, mas que recentemente começou a sofrer problemas financeiros. Suas irmãs, Elizabeth (a mais velha) e Mary (a mais nova) são como a maioria das garotas: fúteis e superficiais. Seu pai, viúvo, é vaidoso por demais e preza, antes de tudo, a reputação de sua família. Inicialmente é sabido que, quando mais jovem, Anne fora pedida em casamento por um homem simples, sem grande poder aquisitivo: Frederick Wentworth, que a amava tanto quanto ela a ele. Entretanto, Anne acaba sendo persuadida a não aceitar o pedido – tanto pelo pai de Anne, preocupado em razão da diferença entre as classes sociais dos jovens, quanto por Lady Russell, uma amiga íntima de Anne, cuja opinião a influencia muito em suas decisões. A história mostra como o destino trata de reunir Anne e Frederick depois de muitos anos, como as coisas mudam e como ambos conhecem novas coisas e adquirem mais certeza de si mesmos. O título vem dessa ideia das influências de terceiros sobre as personagens principais, abrangendo histórias paralelas que os envolvem e/ou os conectam.

Eu gostei bastante de Persuasão, tanto pela escrita incomparável de Jane Austen quanto pela história em si. É interessante pensar em como as coisas poderiam ser diferentes no presente se não tivéssemos tomado certas decisões no passado. Os personagens são cativantes e o romance é puro e imutável. Da mesma autora eu só tinha lido Orgulho e Preconceito, e assim mesmo pude identificar certas coisas em comum: uma moça cujas irmãs são superficiais, que é a segunda irmã mais velha, que tem interesses diferentes, que é cortejada por outro homem antes de encontrar seu real amor... Mesmo com a semelhança dos temas, cada obra de Jane Austen é única e especial em sua própria maneira.

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Lolita, de Vladimir Nabokov
 
O engraçado é que as páginas são muito juntas e, aberto, fica assim.
Como aparentemente Lolita é um livro popular dentro da atmosfera cult, muitos já devem conhecer sobre o que o livro fala. É a história de Humbert Humbert, um homem adulto, europeu, muito inteligente e nem um pouco modesto, e Dolores Haze (Dolly, Lola, Lolita), uma garota americana de 12 anos. Desde pequeno Humbert era muito precoce e pensava coisas que não eram comuns para garotos. Como ele próprio diz, há algo em crianças em crescimento que o atrai muitíssimo mais do que uma mulher já formada e crescida. Mas nem todas as meninas entre 12 e 15 anos são sexualmente atraentes para ele: há aquelas meninas em quem ele vê algo especial, etéreo, incomparável – as suas ninfetas. Depois de um casamento fracassado e da morte de um parente que deixa suas lojas para ele, H.H. parte para os EUA buscando uma mudança, uma nova vida. Um imprevisto faz com que ele fique hospedado numa casa que não era originalmente onde ele planejava ficar – mas, ao ver a filha da dona da casa, Humbert sabe que poderia ficar eternamente naquela nova casa contanto que pudesse apreciar e conviver com a tão exímia ninfeta. O livro conta como os dois se aproximaram, como a vida preparava coisas inusitadas, como um humano pode ser tão repulsivo e sentimental. É muito mais que a história de um pedófilo - é a história de uma infância perdida, de um amor magnificente, das complexidades da mente humana: uma narrativa única.

Eu estava realmente acreditando que Lolita era mesmo uma história escrita por um criminoso cuja sentença estava próxima de chegar. Ficava imaginando "onde o Nabokov entra nisto aqui?" e me envolvi intensamente na leitura. No final o autor revela as dificuldades que ele teve em publicar o livro, em como as editoras recusavam sem ao menos dar a atenção que a obra precisava para ser compreendida. O assunto não deixa de ser repugnante e terrível, mas a escrita do autor é fantástica.

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Não estou acostumada a fazer resenhas nem nada, por isso não há muita coisa de qualidade nos textos acima. Espero que sirva pra despertar a curiosidade de alguém, pelo menos, e que alguém possa aproveitar. Acho que é só. Tchauzinho!

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