É muito estranho falar sobre o futuro. Diferente do passado, que já conhecemos e sabemos o que houve, o futuro é incerto, sem garantia, uma surpresa. Parece-me que o presente está passando rápido demais e, quanto mais perto estou de sair da escola e começar uma vida só minha, mais indecisa e confusa eu fico. É muita coisa acontecendo, muita coisa a acontecer e pouca firmeza nos pés no chão. Tanta gente cobrando coisas de você, esperando grandes atitudes de você, perguntando que profissão você vai escolher. E, depois de passar por muitas opções, estou começando a clarear minhas ideias sobre isto.
Quando eu era pequena, queria ser veterinária. Adorava visitar o sítio de um amigo do meu pai e lá cavalgar, dar comida aos animais, ver meu pai zelando deles, acariciá-los... Parecia certo que eu escolheria uma profissão relacionada a animais. Depois passei pra biologia e mais tarde pra biologia marinha. De alguma forma os animais marinhos me fascinavam, como algo inalcançável, belo e curioso. É claro que minha família gostaria que eu fosse médica – que família nunca disse isso aos filhos? Eu até me interessei por um tempo – eu adorava ver Grey's Anatomy e, pelo curto tempo que passou, um outro seriado que ia ao ar também no canal Sony (não me lembro o nome, mas era sobre médicos que trabalhavam num pequeno povoado à beira de uma floresta; eu adorei mas só teve uma temporada). Mas algo dentro de mim dizia aquilo não era pra mim, apesar de achar muito bonito e importante. Era mais o sonho dos meus pais do que o meu, como acontece com muita gente. Gostei bastante de arqueologia e astronomia por um tempo. Mais tarde, ao ver que eu tinha muita facilidade com inglês e principalmente depois de aprender japonês sozinha (estudando pela internet), decidi que adoraria trabalhar com algo que envolvesse línguas. Depois fiquei um tempo sem querer nada e, no começo deste ano, descobri meu grande amor por química, história e arte.
Agora já não sou muito chegada a bichinhos, já não estudo japonês e já não amo química tanto assim. Fui a um fórum de universidades, empresas e profissões no último fim de semana e depois parei pra refletir sobre a carreira que eu quero seguir. Então descobri algumas coisas. Não consigo me imaginar fazendo uma cirurgia, nem escavando um terreno e encontrando ossos e fósseis, nem trabalhando numa empresa, nem sendo cientista, nem desenhando projetos ou planejando empreendimentos. Adoro livros e arte, mas só sou leitora e apreciadora – não tenho talento em escrever nem sou criativa ou boa desenhista. A pergunta foi, o que sou eu?
Não foi com grandes dificuldades que eu respondi esta pergunta, apesar de parecer complexa. O que eu mais sei e gosto de fazer é aprender e ensinar. Tô sempre querendo descobrir coisas novas, ampliar meu conhecimento, conhecer novos mundos, novas perspectivas, novos assuntos. Isso me faz feliz. Isso me faria feliz no futuro. Então percebi que eu quero ser professora. Não é na escola que vivemos uma enorme parte das nossas vidas? Não é lá que conhecemos pessoas muito importantes para nós, não é lá que descobrimos uma imensidão de coisas? Não é lá que damos as melhores risadas? Pode ter alguém que responda não a alguma dessas questões, mas pra mim é muito mais fácil estar feliz quando se está na escola, entre amigos, aprendendo, conhecendo. É na escola que eu conheci pessoas que admiro profundamente. Professores são pessoas incríveis. Todas as coisas precisam de alguém que ensine. Tá, nem todas, mas uma imensa parte delas. Ser professor é participar da formação de pessoas, é ser parte de muitas vidas. Tem coisa mais bonita?
Quando disse isto pra minha mãe ela já fez aquela cara de desprezo e falta de fé. Falei pra uma amiga que me perguntou sobre profissão e ela disse "ah não, não fala que cê vai ser professora!" É estranho como as pessoas olham pra essa carreira. Parece que ninguém reconhece o valor de um professor. Ninguém bota fé em alguém que quer entrar nessa jornada. Já fala sobre o salário baixo, sobre a falta de disciplina das pessoas brasileiras, da falta de reconhecimento...
Eu não ligo pra isso. Todo o mérito em educar pessoas compensa as dificuldades encontradas no nosso país. Eu acredito que com o tempo vamos melhorar. Eu quero ser parte do progresso, quero fazer parte da educação de pessoas. Quero conhecer mais e mais, quero transmitir meu conhecimento, quero despertar o interesse das pessoas. E ser professor é conhecer assuntos sem precisar exercê-los (aí estava meu obstáculo, agora resolvido). Dinheiro não traz felicidade e não é sonho nenhum para mim. Mesmo que eu ganhe pouco, devagar posso construir minha carreira.
Isso realmente foi um grande passo para mim. Ainda me emociono em pensar sobre isto e não parece que vou mudar de opinião tão fácil quanto mudei com as outras coisas. Desta vez fui realista e objetiva, e parece que cheguei a uma boa conclusão. Ainda não sei o que o futuro me reserva e tenho medo do que pode acontecer, mas pela primeira vez em muito tempo sinto que tenho um sonho. É ótimo ter um objetivo na vida.
Quando perguntarem "o que você quer ser quando crescer?", vou responder "feliz". Quanto ao que eu quero fazer quando eu crescer... só o tempo dirá.
Quando perguntarem "o que você quer ser quando crescer?", vou responder "feliz". Quanto ao que eu quero fazer quando eu crescer... só o tempo dirá.
Até breve.
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